Tentativa de “rachadinha” de “explicar” a coisa toda, piorou ainda mais a situação. Teve dinheiro público sim. Uma parte roubada pelo Master, outra, através de emendas parlamentares e teve ainda verbas de São Paulo, diz a Folha
A versão de Flávio Bolsonaro de que não havia dinheiro público na injeção de R$ 61 milhões do Banco Master no filme de Jair Bolsonaro, caiu por terra. Além do dinheiro do Master vir de transações ilícitas com o BRB, Rioprevidência e outros órgão públicos, a Polícia Federal investiga também emendas e verbas da prefeitura de São Paulo na jogada.
Primeiro, na tarde de ontem (quinta-feira,14), ele havia negado que tivesse pedido dinheiro a Daniel Vorcaro. Agrediu o repórter que o questionou, deu uma gargalhada nervosa e disse que ele não era jornalista, que estava mentindo e que era um “militante”. Depois, quando o escândalo transbordou, ele acabou admitindo a conversa onde aparece pedindo dinheiro a Vorcaro, mas mentiu de novo, dizendo que não havia dinheiro público envolvido.
É puro cinismo do “rachadinha”. A produtora responsável pelo filme tem ligações com uma rede que já foi abastecida por emendas de deputados do PL e contrato com a Prefeitura de São Paulo na gestão Ricardo Nunes (MDB).
Reportagem da Folha de S. Paulo revela que a Go Up, produtora do longa-metragem “Dark Horse” (“Azarão”), que trata da vida de Jair Bolsonaro, tem como sócia-administradora Karina Gama, que controla outras empresas ou entidades do ramo cultural beneficiadas por verbas públicas destinadas por deputados federais como Mario Frias (PL-SP).
Ainda segundo a reportagem da Folha, a Go Up, que também está associada a um endereço nos Estados Unidos, diz não ser possível revelar nenhum dos mais de dez investidores estrangeiros em razão de um acordo de confidencialidade. Ou seja, repete a mesma desculpa de Flávio Bolsonaro.
Além da Go Up, Karina é associada a mais três empresas do ramo cultural. Todas têm o mesmo endereço e telefone fixo para contato nos dados oficiais da Receita Federal, mas o local abriga uma quarta empresa, a Gowork, um escritório virtual com endereço fiscal que atende diversas empresas para o recebimento de correspondência simples, prossegue a matéria.
Outra empresa da qual Karina é presidente, a ANC (Academia Nacional de Cultura), teve R$ 2,6 milhões de emendas destinadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL- DF), além de Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia o mandato pelo PL do Rio de Janeiro.
Os repasses ligados a Karina geraram ação no STF (Supremo Tribunal Federal) da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) sobre os aportes públicos da Prefeitura de São Paulo e de emendas às organizações ligadas à empresária. Em março, o ministro Flávio Dino mandou intimar Frias, Kicis e Marcos Pollon para explicarem as emendas, mas Frias não foi encontrado. A Go Up afirma que a estreia comercial do filme sobre Bolsonaro está em fase de definição. As gravações terminaram em dezembro, em São Paulo. A direção é de Cyrus Nowrasteh, cineasta americano.











