Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê, enquanto bolsonaristas se lambuzam no detergente

Produtos seguem proibidos por risco de contaminação. Deputado Fahur lavou o bigode com produto proibido para "desafiar" norma sanitária - Fotos: Reprodução/Redes Sociais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, por unanimidade, manter a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de produtos da marca Ypê após identificar dezenas de irregularidades sanitárias em sua fábrica localizada em Amparo, no interior de São Paulo. A decisão foi tomada em reunião extraordinária realizada nesta sexta-feira (15), durante a análise do recurso apresentado pela empresa.

Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a fiscalização teve início em fevereiro deste ano após uma denúncia registrada no sistema Fala.BR. Ao longo das inspeções, os técnicos encontraram 76 irregularidades na unidade industrial, incluindo falhas no controle de qualidade e indícios de contaminação microbiológica em diversos lotes de produtos.

De acordo com a agência, a própria fabricante confirmou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras analisadas. O microrganismo é conhecido por sobreviver em ambientes úmidos e pode provocar infecções na pele, olhos e sistemas urinário e respiratório, principalmente em pessoas mais vulneráveis. A avaliação técnica da Anvisa aponta que a contaminação evidencia falhas nos processos produtivos da empresa.

Com a decisão, permanece em vigor a resolução publicada na semana passada, que determina o recolhimento e a suspensão da comercialização de detergentes de louça, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes terminados em número 1. A Anvisa reforçou que os produtos não devem ser utilizados pelos consumidores até nova deliberação do órgão.

Durante a sessão, o diretor Daniel Pereira determinou que a Ypê amplie e normalize imediatamente os canais de atendimento ao consumidor. Segundo ele, a agência recebeu relatos de falhas no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa, situação considerada grave diante do cenário de risco sanitário.

“A empresa deve promover o restabelecimento e pleno funcionamento do seu SAC, garantindo atendimento eficaz, transparente e acessível à população”, afirmou o diretor durante o voto.

Outro diretor da agência, Thiago Campos, reconheceu que a fabricante adotou medidas corretivas importantes nos últimos dias, como reforço nos controles microbiológicos, protocolos de quarentena e melhorias na rastreabilidade dos produtos. Ainda assim, avaliou que as ações continuam insuficientes para restabelecer a confiança regulatória necessária para a retomada integral das atividades da fábrica.

Em sua defesa, a Ypê reiterou que os produtos afetados “são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor” e afirmou que trabalha para reverter a decisão da Anvisa. A empresa também destacou que colaborou com as autoridades sanitárias durante todo o processo de investigação.

Enquanto isso, o deputado federal Sargento Fahur (PL-PR) publicou nesta terça-feira (12) um vídeo em que aparece lavando o próprio bigode com um produto da marca Ypê. A gravação foi feita após a Anvisa suspender lotes da empresa por risco sanitário e determiná-los ao recolhimento.

No vídeo, o parlamentar ironiza a decisão da agência e afirma: “Eu uso Ypê”. A publicação passou a circular entre perfis bolsonaristas e entrou no embate aberto por apoiadores de Jair Bolsonaro contra a medida sanitária.

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