IBC-Br, considerado uma “prévia” do PIB, mostrou recuos no mês na Indústria (-0,2%), Serviços (-0,8%) e Agropecuária (-0,2%)
Em março deste ano, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,7%, informou a autarquia financeira nesta segunda-feira (18). Com o resultado, o indicador cresceu 1,3% no primeiro trimestre deste ano.
O IBC-Br é considerado como uma “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), calculado e divulgado oficialmente pelo IBGE.
A retração do IBC-Br em março foi influenciada pela Indústria e Serviços, que registraram quedas de -0,2% e -0,8%, na ordem. O indicador da agropecuária, caiu 0,2%.
Excluindo a agropecuária, o IBC-Br recuou 0,9% no mês.
No trimestre encerrado em março de 2026 ante o trimestre terminado em dezembro de 2025, o IBC-Br apresentou alta de 1,3% na esteira do crescimento de todos os indicadores: Indústria (+1,3%), Serviços (+ 1%) e Agropecuária (+ 1%).
O desempenho da economia brasileira vem sofrendo forte impacto dos juros altos. Hoje a taxa básica de juros (Selic), definida pelo Banco Central (BC), está em 14,50%. Quando descontada a inflação projetada para 12 meses, a taxa de juros reais chega a 10% ao ano – sufocando o consumo e os investimentos, o que não permite um avanço da produção e o crescimento econômico sustentável no país.
Em 2025, o PIB brasilero cresceu 2,3%, mostrando desaceleração aos resultados de 2024 e 2023, altas de 3,4% em 2024 e avanço de 3,2% em 2023. Com a permanência do choque dos juros altos sob a economia, o mercado financeiro estima que o PIB de 2026 vai crescer apenas 1,85%.
Os dados do IBC-Br vieram acompanhados por nova pressão do cartel dos bancos pela continuidade dos juros altos no Brasil. Segundo o Boletim Focus do BC, divulgado nesta segunda-feira (18), as instituições financeiras elevaram o ponto médio das projeções da Selic de 13% para 13,25% no encerramento deste ano.
Os banqueiros e rentistas apostam na continuidade das agressões dos EUA ao Irã, o que traria repercussões negativas para a oferta internacional de petróleo e fertilizantes, gerando pressão inflacionária sobre os preços internos dos combustíveis e dos alimentos no Brasil. Para eles, esse cenário levaria o Banco Central a interromper o ciclo de cortes ou até mesmo a aumentar os juros – uma medida que não se justifica, visto que esse tipo de ação é ineficaz contra choques de oferta.











