Composta por cerca de 700 ativistas de quase 70 países, nova Flotilha Global Sumud foi interceptada ilegalmente pelas tropas israelenses, em águas intenacionais, para perpetuar o bloqueio naval imposto aos dois milhões de sobreviventes de Gaza
Forças navais de Netanyahu interceptaram ilegalmente, em águas internacionais próximas ao Chipre, nesta segunda-feira (18), uma nova Flotilha Global Sumud, composta por cerca de 60 embarcações e 700 ativistas de quase 70 países. Além de medicamentos e filtros de água, a missão transportava alimentos e seu objetivo era romper o bloqueio naval genocida imposto desde 7 de outubro de 2023 aos dois milhões de sobreviventes da Faixa de Gaza.
A flotilha inclui legisladores, médicos, jornalistas e ativistas de direitos humanos. De acordo com os organizadores, cerca de 100 médicos estão a bordo, juntamente com uma embarcação médica dedicada que transporta equipamentos e suprimentos urgentes para o setor de saúde em colapso de Gaza.
Conforme a própria flotilha denunciou, “lanchas militares estão interceptando nossos barcos em plena luz do dia”, em uma “apreensão ilegal” a poucos quilômetros da ilha de Chipre, de acordo com o rastreador de barcos do grupo. As embarcações humanitárias se encontravam a aproximadamente 500 quilômetros da costa de Gaza, seu destino.
“A continuação da guerra em Gaza, a proibição da entrada de ajuda humanitária e da saída de pacientes para tratamento, juntamente com a política de genocídio, levaram mais ativistas internacionais a se unirem aos esforços para romper o bloqueio”, afirmou Anwar al-Gharbi, chefe do Conselho de Genebra para os Direitos Humanos, na Suíça, reiterando que as ameaças israelenses apenas fortaleceram a determinação dos ativistas.
QUATRO BRASILEIROS PARTICIPAM DA MISSÃO HUMANITÁRIA
Há quatro brasileiros nessa missão. Está confirmado que entre os sequestrados pelos israelenses se encontram Ariadne Catarina Cardoso Teles (ativista), Beatriz Moreira de Oliveira (do Movimento dos Atingidos por Barragens) e Thainara Rogério (ativista), que possui dupla nacionalidade brasileira-espanhola. Ainda não há confirmação sobre a situação do médico Cassio Guedes Pelegrini Junior.
O grupo formado por ativistas de várias partes do mundo informou que ao interceptar a flotilha em um perímetro dentro da zona SAR (de busca e salvamento) do Chipre, o regime sionista continua demonstrando um “desprezo sistemático pelo direito marítimo internacional, pela liberdade de navegação em alto-mar e pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos”.
A porta-voz da Flotilha na Itália, Maria Elena Delia, ressaltou que alguns dos cerca de 35 italianos a bordo teriam sido detidos após a interceptação de pelo menos dois navios com bandeira do país europeu.
Diante do impacto das manifestações de solidariedade, em cidades como as italianas Roma e Perugia, onde sindicatos e estudantes se reuniram em apoio à flotilha e contra os gastos militares da Itália com armamentos israelenses, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani foi obrigado a se manifestar.
“Enviamos uma mensagem clara a Israel: Israel deve garantir que respeite as normas e o direito internacional. Mesmo que cidadãos italianos sejam detidos, eles devem sempre ser tratados com o máximo respeito à sua dignidade humana”, declarou Tajani.
“TERRORISMO ORGANIZADO E PIRATARIA DE ESTADO”
Em um comunicado à imprensa, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina condenou veementemente o que descreveu como a “agressão naval criminosa” perpetrada pelas forças de ocupação israelenses contra a “Flotilha Internacional da Firmeza”. A Frente considerou essa ação uma extensão da política sionista de “terrorismo organizado e pirataria de Estado” contra o povo palestino e todas as vozes humanitárias que se solidarizam com ele.
No despacho com o comandante da frota encarregada dos sequestros, o psicopata Benjamin Netanyahu parabenizou a ação dos militares israelenses, assinalando que “estão realizando um trabalho excepcional, frustrando um plano malicioso projetado para romper o isolamento”. Segundo Netanyahu, a política de cerco e aniquilamento imposta à população civil, em que já morreram oficialmente mais de 72 mil palestinos, deixando cerca de 180 mil feridos – milhares deles mutilados – seria resultado de uma ação “imposta aos terroristas do Hamas em Gaza”, como se isso coresndesse à morte de milhares de mulheres e crianças neste massacre genocida.
A viagem anterior da Flotilha se iniciou no dia 15 de abril em Barcelona e no dia 30 daquele mês, foi interceptada por Israel, também em águas internacionais ao sul da Grécia. Um dos detidos foi o ativista brasileiro Thiago Ávila, que fez inúmeras e graves denúncias de ter sofrido tortura, espancamento e ameaças de morte durante o período em que esteve sob custódia dos nazi-israelenses.











