O seminário estadual promovido pela Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho reuniu, em São Paulo, lideranças sindicais, parlamentares, ministros e representantes de movimentos sociais em defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. O encontro ocorreu no Palácio do Trabalhador, no bairro da Liberdade, e reforçou a mobilização nacional pela redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial.
Representantes das centrais sindicais destacaram a necessidade de ampliar a pressão popular sobre o Congresso Nacional para acelerar a tramitação da proposta. O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que o cenário é favorável à aprovação da medida. “Estamos muito próximos de conquistar o fim da escala 6×1 porque existe uma vontade popular muito grande e uma pressão muito forte sobre o Congresso Nacional”, declarou.
O dirigente também convocou trabalhadores a intensificarem a mobilização junto aos parlamentares. “Quero aproveitar para pedir para as pessoas enviarem mensagem para o seu deputado federal e seu senador, cobrando uma posição em defesa do fim da escala 6 por 1 e da redução da jornada”, disse.
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) também participou do debate. O vice-presidente nacional da entidade, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), afirmou que a mobilização social será decisiva para enfrentar a resistência de setores empresariais no Congresso.
“Dentro do Congresso Nacional, há uma série de representantes patronais fazendo lobby para adiar essa mudança, propondo que ela aconteça apenas daqui a 10 ou 15 anos. Por isso, é fundamental que estejamos mobilizados”, afirmou.
Bira também rebateu argumentos de que a redução da jornada poderia causar prejuízos econômicos. “Os que dizem que o fim da escala 6×1 vai quebrar o Brasil esquecem de dizer que o que realmente prejudica as empresas e o país são as taxas de juros absurdas”, disse.
Durante o seminário, ministros do governo federal também defenderam a proposta. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ressaltou que as mulheres estão entre as mais afetadas pelas jornadas exaustivas. “Sobre a mulher recai a maior perda, porque além do trabalho formal, ela ainda enfrenta uma terceira jornada dentro de casa”, afirmou.
Já o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, criticou os argumentos contrários à redução da jornada e associou melhores condições de trabalho ao aumento da produtividade. “Há ainda o tempo das trevas que vem com argumentos totalmente desqualificados, tentando dizer ao trabalhador que isso pode gerar desemprego e informalidade”, declarou.
Segundo Marinho, ambientes de trabalho menos exaustivos trazem benefícios também para as empresas. “Quando você cria um ambiente mais acolhedor, as pessoas produzem mais, dão mais qualidade ao trabalho e as empresas conseguem reduzir faltas e melhorar a produtividade”, afirmou.
O seminário integra uma série de mobilizações organizadas pelas centrais sindicais em diferentes estados do país. A expectativa é intensificar a pressão política nas próximas semanas, especialmente durante a tramitação da PEC na Câmara dos Deputados.
Seminário em São Paulo reforça mobilização das centrais pelo fim da escala 6×1










