Polícia Federal apura emenda de Flávio Bolsonaro intermediada por policial militar condenado por organização criminosa pela morte da vereadora carioca e seu motorista
Mais uma revelação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro mostra que está difícil para o presidenciável da extrema-direita sair das páginas do noticiário policial.
Agora, foi a vez da Polícia Federal (PF) apurar o envio de uma emenda do parlamentar a uma organização não-governamental (ONG) suspeita de ter ligações com os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
A transferência dos valores da emenda foi efetivada em novembro de 2023, exatamente um mês após o gabinete do parlamentar ter sido procurado por um então assessor de Domingos no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Os investigadores querem saber se o repasse fez parte de um esquema desvios de verbas públicas comandado pelo grupo da família Brazão.
O Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópia (Ifop), uma ONG (organização não governamental), recebeu R$ 199 mil, valor da emenda. A organização tem como endereço uma sala comercial no bairro da Taquara, na Zona Oeste do Rio, área de influência dos Brazão.
A intermediação da emenda parlamentar, de acordo com a PF, foi feita pelo policial militar da reserva Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, também condenado por organização criminosa pela morte de Marielle. Ele é apontado nas investigações como responsável por atuar nos bastidores na “defesa de interesses espúrios” do grupo comandado por Domingos, na época conselheiro do TCE-RJ, e Chiquinho, deputado federal cassado.
O presidenciável, abordado pela imprensa sobre mais um espinhoso assunto, desconversou. Por meio de sua assessoria, simplesmente afirmou não ser papel do parlamentar auditar como suas emendas são utilizadas por terceiro, como se esse fosse o problema principal e não o destino do recurso.
Por sua vez, ONG informou não ter “qualquer relação formal ou informal” com Peixe ou com os irmãos Brazão e que os recursos foram devidamente aplicados em um projeto que oferecia aulas de futebol para crianças. A defesa dos irmãos Brazão e do ex-assessor do TCE-RJ também foram questionadas sobre a emenda e não responderam.
A investigação de mais uma maquinação tenebrosa de Flávio Bolsonaro ocorre no âmbito da apuração pela PF do esquema de desvio de verbas públicas por meio de ONGs após quebrar o sigilo telefônico de Peixe no inquérito que apurava a morte de Marielle.
Os investigadores, ao analisarem as mensagens trocadas pelo então assessor do TCE-RJ, identificaram que Peixe atuava intermediando a captura de recursos para entidades ligadas ao grupo, de modo a angariar “patrimônio potencialmente incompatível com suas fontes de renda lícitas”, conforme o relatório da apuração.
A investigação policial apurou que cabia a Peixe entrar em contato com deputados e senadores para que direcionassem recursos às entidades indicadas por ele. Os investigadores apontam que essas organizações receberam a bagatela de R$ 268 milhões por meio dos repasses de parlamentares entre 2020 e 2024.
Após os parlamentares indicarem as emendas, os recursos eram liberados por ministérios e, posteriormente, integrantes das entidades eram cobrados a pagar despesas relacionadas ao grupo dos Brazão, de acordo com a investigação. A PF descreve, por exemplo, mensagens em que Peixe pede ao representante de uma das ONGs beneficiadas pelas verbas federais a compra de 20 bicicletas, em dezembro de 2023, além de providenciar um helicóptero.
Já que um dos personagens de toda essa tramoia é conhecido como “Peixe”, nunca é demais lembrar o ditado que diz: filho de peixe, peixinho é… Nesse ponto, o “01” está seguindo as mesmas veredas tortuosas do pai condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de estado contra as instituições republicanas, fazendo jus ao velho e surrado adágio popular










