Requentamento do caso ‘Brothers to the Rescue’ visa “fortalecer o dossiê que eles fabricam para justificar a insensatez de uma agressão militar contra Cuba”, denuncia o presidente Díaz-Canel. Cuba deixa claro que abate de avião em 1996 foi em legítima defesa
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu ao requentamento de uma provocação de 30 anos atrás pelo regime Trump e encenação de “indiciamento” do seu antecessor, Raúl Castro, irmão de Fidel, ato que denunciou visar “fortalecer o dossiê que eles fabricam para justificar a insensatez de uma agressão militar contra Cuba”.
“A tentativa de indiciamento contra o General do Exército Raúl Castro Ruz, recém-anunciada pelo governo dos EUA, apenas demonstra a arrogância e a frustração que a determinação inabalável da Revolução Cubana e a unidade e força moral de sua liderança provocam nos representantes do império”, afirmou o presidente cubano, pela plataforma X.
“Esta é uma ação política, sem qualquer base legal, que busca apenas reforçar o caso que estão fabricando para justificar a insensatez de uma agressão militar contra #Cuba.”
Ele sublinhou que os EUA “estão mentindo e manipulando os eventos que cercaram a queda do avião narcoterrorista Brothers to the Rescue em 1996”.
“Em 24 de fevereiro de 1996, Cuba agiu em legítima defesa dentro de suas águas territoriais após repetidas e perigosas violações de seu espaço aéreo por terroristas notórios”.
“O governo dos EUA na época foi alertado sobre essas violações em mais de uma dezena de ocasiões, mas ignorou os avisos e permitiu que continuassem”.
As denúncias de Havana foram apresentadas por escrito às autoridades dos EUA e relataram mais de 25 violações do espaço aéreo entre 1994 e 1996.
No abate, apontou Díaz-Canel, Havana não violou o direito internacional, diferente do que “vêm fazendo forças militares dos EUA, com suas execuções extrajudiciais friamente calculadas e abertamente divulgadas contra embarcações civis no Caribe e no Pacífico”.
O presidente cubano enfatizou que “a integridade ética e o espírito humanista de suas ações refutam quaisquer acusações caluniosas feitas contra o General do Exército Raúl Castro”.
“Como líder guerrilheiro e como estadista, ele conquistou o amor de seu povo, além do respeito e da admiração de outros líderes da região e do mundo. Essas qualidades são sua melhor defesa e um escudo moral contra a ridícula tentativa de diminuir sua estatura como herói”.
ESCALADA SEM PRECEDENTES
Em paralelo à farsa do “indiciamento”, o regime Trump enviou para as proximidades de Cuba o porta-aviões nuclear USS Nimitz.
Desde 29 de janeiro, Cuba se encontra sob uma escalada sem precedentes do regime Trump, anunciada após a agressão militar à Venezuela e sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, com o biliardário de Mar a Lago emitindo uma ordem executiva que declara “emergência nacional” diante do que chama de “ameaça incomum de extraordinária” de Cuba à segurança nacional dos EUA e prometendo “tomar Cuba”.
Em violação escancarada da lei internacional, Trump vem há quase quatro meses mantendo um bloqueio naval contra Cuba, à qual proibiu que seja fornecido petróleo, com a Ilha tendo recebido apenas um petroleiro russo nesse período, agravando a situação humanitária ao extremo, paralisando o transporte e até o funcionamento de hospitais, desorganizando a economia e educação e desencadeando apagões.
Na semana passada, no dia em que o diretor-geral da CIA foi a Havana para pressionar Cuba, a CBS News publicou a primeira informação sobre a farsa do indiciamento.
Para o requentamento, Washington fez o anúncio na data da instauração da primeira república em Cuba, sob a Emenda Platt, em 20 de maio de 1901, que transformava Cuba em um protetorado, metamorfoseando a ocupação, condição só abolida em 1934 pela pressão dos cubanos e boa vontade do presidente Roosevelt.
PUNIÇÃO COLETIVA
Díaz-Canel afirmou que os EUA levaram o bloqueio que está em vigor há décadas “a níveis nunca antes vistos, penalizando empresas que querem investir em Cuba ou simplesmente nos fornecer bens básicos como alimentos, remédios, produtos de higiene ou outros.”
“A punição coletiva à qual o povo cubano está sendo submetido é um ato de genocídio que deve ser condenado por organizações internacionais e processado criminalmente contra seus promotores”, disse o presidente.
Ele denunciou a “a retórica de ódio anti-cubana” e afirmou que seu governo continuará a se pronunciar “contra o cerco genocida que busca estrangular nosso povo”.
A escalada contra o povo cubano tem recebido o aval de setores da mídia do establishment ianque, com o portal Axios se prestando a alegar que “300 drones” que supostamente Cuba teria adquirido desde 2023 seriam uma “ameaça” à segurança dos EUA, a Guantánamo e a Miami.
Quando quem está sendo ameaçada é Cuba e o acintoso agressor são os EUA e o regime Trump, enquanto Cuba, pela Carta da ONU, tem o legítimo direito de autodefesa. Além do ridículo de falar em “300 drones” contra uma superpotência nuclear.
RECHAÇO À LEI DA SELVA
Brasil, México, Colômbia e Uruguai têm expressado seu apoio ao povo cubano, com declarações e envio de ajuda, enquanto Gustavo Petro, presidente colombiano, advertiu que “uma ameaça militar contra Cuba é uma ameaça militar contra a América Latina”.
Na declaração Rússia-China divulgada na visita do presidente Putin a Xi Jinping em Pequim, as duas grandes nações fizeram questão de assinalar seu rechaço a “ações como o lançamento traiçoeiro de ataques militares contra outros países; o uso hipócrita de negociações como pretexto para a preparação de tais ataques; o assassinato de representantes dos governos de Estados soberanos; a desestabilização da situação política interna nesses Estados e a provocação de uma mudança de poder; e o sequestro descarado de líderes nacionais para submetê-los a julgamento violam gravemente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.
Putin e Xi também manifestaram seu apoio ao status da América Latina e do Caribe como uma “zona de paz”, bem como à luta dos Estados latino-americanos “para escolher autonomamente seus caminhos de desenvolvimento e seus parceiros”. O documento também se opôs à interferência de forças externas nos assuntos internos da região “sob qualquer pretexto”.











