Presidente do México repudia indiciamento de Raúl Castro

"Interferência dos EUA na América Latina é inaceitável", ressalta Claudia Sheinbaum (Yuri Cortez/AFP)

Claudia Sheinbaum, a presidente do México, levantou questionamentos e críticas quanto à acusação efetuada pelo Departamento de Justiça dos EUA que, nesta semana, indiciou o líder revolucionário cubano Raúl Castro pelo abatimento de dois aviões que invadiram território cubano nos anos 90.

“Que sentido faz que neste momento eles acusem uma pessoa por algo que aconteceu há 30 anos?”, disse a presidente mexicana em uma coletiva de imprensa na sexta-feira. “Isso aconteceu há 30 anos, imagine isso.”

Sheinbaum denunciou a política de intervencionismo dos americanos e que a acusação contra Raúl Castro segue um padrão de interferência americana na região. E que os americanos obviamente têm segundas intenções na acusação contra Castro.

“Houve historicamente uma visão intervencionista dos Estados Unidos, não é a partir de agora”, disse ela. “É uma visão de que eles podem influenciar outros países. Não concordamos com essa visão no caso de Cuba”.

O governo cubano, desde o indiciamento de Castro, afirmou que o abatimento dos aviões estava de acordo com a lei internacional, já que os aviões invadiram o espaço aéreo cubano. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rebateu as acusações e disse que a ação dos americanos “é uma ação política, sem qualquer base legal, que só procura ampliar o dossiê fabricado que usam para justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba”.

Sheinbaum comparou o caso de Castro com o do ex-presidente boliviano, Evo Morales, que desde que se candidatou a presidente da Bolívia, os americanos fizeram de tudo para associá-lo ao narcotráfico de cocaína, por ser um líder indígena boliviano e sua cultura vive da produção de folhas de coca, não cocaína.

“O governo de Evo Morales foi o melhor governo da Bolívia na história: aumentou o Produto Interno Bruto, a renda e os padrões de vida do povo, diminuiu a desigualdade, fortaleceu a soberania de seus recursos naturais”, disse Sheinbaum, que também reiterou o compromisso do México com a política de soberania dos países.

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