Com o presidente Díaz-Canel à frente, a manifestação em defesa do ex-presidente, agora com 95 anos, ocorreu na Tribuna Anti-Imperialista José Martí, diante da embaixada norte-americana. “Raúl é Raúl, e nenhuma mentira pode apagar seu exemplo”, declarou Cuba em resposta
Milhares de pessoas se manifestaram nesta sexta-feira (22) em Havana, na Tribuna Anti-Imperialista José Martí em frente à Embaixada dos Estados Unidos, para rechaçar a imputação caluniosa do regime Trump contra o líder da Revolução ao lado de seu irmão Fidel, ex-ministro da Defesa e ex-presidente, Raúl Castro, por um ato de legítima defesa de Cuba há 30 anos, o abate de dois aviões de uma organização terrorista anticubana, Brothers to the Rescue, ao violarem seguidamente o espaço aéreo cubano.
“Por Cuba e por Raúl”, saudou o presidente Miguel Díaz-Canel, encabeçando a mobilização, organizada pela União da Juventude Comunista e pelas entidades de massa. Os principais líderes cubanos estavam presentes ao ato para refutar a vil mentira, envolta em manipulação desonesta, reafirmar que soberania não é crime e denunciar o bloqueio genocida.
Raúl, que está fazendo 95 anos, não esteve presente, mas enviou uma mensagem que foi lida pelo heroi cubano Gerardo Hernández Nordelo, um dos ‘cinco antiterroristas’, que ficaram encarcerados nos EUA por 16 anos por se infiltrarem nas gangues anticubanas de Miami para prevenir atentados contra Cuba e só libertados em 2014, em uma troca de prisioneiros com Washington.
Na mensagem, Raúl Castro expressou sua sincera gratidão pela solidariedade do povo cubano e dos amigos ao redor do mundo, e lhes assegurou que “enquanto viver, continuará liderando o nosso povo, defendendo a Revolução e com o pé firmemente no estribo”.
REQUENTAMENTO
Dois dias antes, em Miami o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, oficializou o requentamento do caso do abate dos “Brothers to the Rescue”, ocorrido em 24 de fevereiro de 1996, quando Cuba derrubou dois aviões ao violarem seu espaço aéreo, apesar dos repetidos pedidos dirigidos por Havana ao governo dos EUA para coibir os sobrevoos que se repetiam há dois anos.
O requentamento culmina várias provocações acintosas do regime Trump contra Cuba – o decreto de “ameaça extraordinária” à segurança dos EUA, o bloqueio naval ao fornecimento de petróleo à ilha e as declarações de que, depois do sequestro de Maduro, na Venezuela, ia chegar a “vez de Cuba”.
Blanche acusou Raúl e mais cinco pelo “homicídio de três americanos e um residente legal”. O ventríloquo de Marco Rúbio teve a petulância de dizer que o ex-presidente cubano “comparecerá aqui por vontade própria ou por algum outro meio”. Sem sutileza, a data escolhida para a encenação em Miami foi a da instauração da primeira república em Cuba, sob a famigerada Emenda Platt, que tornava a ilha um protetorado ianque.
“PROVOCAÇÃO DESPREZÍVEL E ILEGAL”
Gerardo Hernández, que é deputado à Assembleia Nacional e coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR), lembrou as mais de 25 violações do espaço aéreo cubano pela organização terrorista Brothers to the Rescue entre 1994 e 1996, e denunciou que Washington ignorou os alertas de Havana. “O silêncio deles foi cumplicidade. A inação deles encorajou os terroristas”, denunciou.
A resposta de Cuba às violações de seu espaço aéreo foi “um ato de legítima defesa, um direito inalienável de qualquer nação”, ele acrescentou, descrevendo a acusação de agora contra Raúl como “uma provocação política desprezível e ilegal” que se complementa “com o ressentimento, a frustração e a impotência daqueles que não suportam ver Cuba de pé, livre e soberana”.
“Raúl é Raúl, e nenhuma mentira pode apagar seu exemplo”, afirmou, enfatizando que a hostilidade não é novidade, mas que a resposta cubana será sempre de unidade, resistência e a certeza de que a pátria será defendida.
Hernández também questionou a hipocrisia do governo dos EUA: “Quando é que vão julgar Trump por ordenar a morte de mais de 200 pessoas em águas internacionais, sem apresentar qualquer prova?”, perguntou ele. “Para os Estados Unidos, a lei é um terno feito sob medida: apertado para os fracos, folgado para os poderosos”, declarou .
A primeira secretária da UJC, Meyvis Estévez, disse à Prensa Latina que “estamos reunidos pela dignidade de Cuba, pelo direito à nossa soberania e pela honra de sermos uma geração formada sob o legado de Fidel e Raúl”.
A multidão também ouviu o testemunho de Betina Valenzuela Corcho, filha de Adriana Corcho Callejas, vítima do atentado terrorista de 1976 contra a embaixada cubana em Lisboa, que relatou a dor de perder a mãe aos 12 anos e como essa ferida marcou sua vida para sempre.
Ela denunciou a impunidade dos responsáveis e a cumplicidade do governo dos EUA em atos terroristas que custaram a vida de mais de 3.000 cubanos.
Em seu discurso, o jovem jurista Rolando López Berín destacou que Raúl Castro é um símbolo de paz e justiça, recordando seu papel na proclamação da América Latina e do Caribe como zona de paz e nos acordos de paz na Colômbia, desmantelando a manipulação dos fatos históricos por Washington.
“SOBERBA E FRUSTRAÇÃO”, DIZ DÍAZ-CANEL
Após a divulgação das acusações, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a medida “evidencia a soberba e a frustração” que a “inquebrantável firmeza da Revolução Cubana” provoca nos representantes dos Estados Unidos.
“Trata-se de uma ação política, sem qualquer base jurídica, que busca apenas engrossar o dossiê que estão fabricando para justificar o absurdo de uma agressão militar a Cuba”, acrescentou Díaz-Canel em uma mensagem publicada no X.
Rússia e China se pronunciaram em oposição à escalada de Washington contra Cuba. A Rússia condenou veementemente na quinta-feira (21) “as novas tentativas de subjugar o povo cubano, que durante 70 anos defendeu heroicamente a soberania e a independência de seu país contra a ameaça externa agressiva, a chantagem política e o bloqueio comercial, econômico, financeiro e, ultimamente, de energia da Ilha da Liberdade”.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia denunciou que Washington está tentando usar a acusação contra o ex-presidente cubano Raúl Castro por um incidente ocorrido há trinta anos, quando Cuba abateu dois pequenos aviões que violaram seu espaço aéreo, para “dar uma aparência de legitimidade à pressão sem precedentes exercida contra a liderança cubana com o objetivo declarado de mudar o poder no país e estabelecer seu controle sobre ele”.
A China repudiou o “abuso dos meios judiciais” desencadeado pelo regime Trump. “A China sempre se opôs firmemente às sanções unilaterais ilegais, que carecem de fundamento no direito internacional e (…) se opõe ao abuso dos meios judiciais. Se opõe às pressões exercidas por forças externas contra Cuba, sob qualquer pretexto”, declarou à imprensa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun.
A China “apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e dignidade nacionais e se opõe à interferência externa”, ele concluiu.











