“Flávio, explique como o dinheiro sai do Brasil, vai para os EUA e o filme é rodado aqui?”

Deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara (Foto: Bruno Spada - Câmara dos Deputados)

“O senador Flávio Bolsonaro, para subir à tribuna, ele deveria, em respeito ao Brasil, ter respondido esses questionamentos, que são questionamentos da sociedade”, disse o deputado Lindbergh Farias

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou que Flávio Bolsonaro mentiu para a população e não explicou sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em discurso no Congresso Nacional.

Flávio fez uma fala em sessão conjunta do Congresso Nacional, na quinta-feira (21), e não comentou nenhum dos fatos revelados sobre sua amizade com Vorcaro. O bolsonarista ainda tentou inverter a situação acusando a base do governo Lula de não ter assinado pedidos de CPI do Banco Master, o que é mentira.

Lindbergh contou que Flávio enviou áudios para Vorcaro chamando o banqueiro de “meu irmãozão” e dizendo que entre eles “não tem meia conversa”, mas quando “sobe à tribuna, não fala nada sobre isso? Aí sobe como se não tivesse acontecido nada? Nenhuma explicação à nação? Nenhuma explicação ao Brasil?”.

A primeira versão de Flávio era de que nunca tinha visto ou tinha contato com Vorcaro. Depois, questionado sobre o financiamento de Vorcaro para o filme “Dark Horse”, do qual o senador era produtor-executivo, ele respondeu que era mentira e o jornalista era “militante”.

Quando o Intercept Brasil divulgou os áudios trocados entre o senador e Daniel Vorcaro, que trataram do envio de até R$ 134 milhões para o filme, Flávio disse que o conhecia, mas não sabia de seus crimes.

“O senhor foi visitar ele um dia depois que ele saiu da prisão com tornozeleira eletrônica. Quer dizer que não sabia dos envolvimentos dele?”, questionou Lindbergh.

O deputado ainda disse que a visita de Flávio a Vorcaro, que estava em prisão domiciliar, ocorreu “dias antes do senador Flávio Bolsonaro anunciar a candidatura dele à Presidência da República. Ele foi o primeiro a saber? A relação era de tanta intimidade, eu faço essa pergunta, era de tanta intimidade que foi falar primeiro para ele?”.

“Vossa Excelência, que já tinha conseguido R$ 61 milhões [para o filme], foi pedir dinheiro para sua campanha ao Vorcaro?”, continuou.

“Pelo respeito a essa Casa, o senador Flávio Bolsonaro, para subir à tribuna, ele deveria, em respeito ao Brasil, ter respondido esses questionamentos, que são questionamentos da sociedade”, destacou.

Lindbergh Farias ainda argumentou que é possível pensar que o dinheiro enviado por Vorcaro “foi usado para conspirar contra o Brasil por tarifas, foi para bancar a estadia do Eduardo Bolsonaro [nos Estados Unidos], mas foi mais: foi para conspirar com sanções e tarifas contra o Brasil”.

FILMES PREMIADOS TIVERAM CUSTO MENOR

Ainda no discurso, Lindbergh Farias lembrou que o filme “Ainda Estou Aqui” (Walter Salles, 2024) teve um custo de R$ 45 milhões e recebeu o Oscar de Melhor Filme Internacional.

A negociação entre Flávio e Vorcaro foi pelo envio de R$ 134 milhões, já tendo sido comprovado que o banqueiro criminoso enviou R$ 61 milhões. “Não tem filme com esse valor todo”, disse Lindbergh.

O dinheiro foi enviado para o fundo Havengate, sediado no Texas e administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro. Lindbergh Farias pediu explicações: “É o Eduardo Bolsonaro que gere? É o advogado?”

“Senador [Flávio], me explique: como é que sai dinheiro do Brasil, o dinheiro vai para os Estados Unidos e o filme é rodado aqui? Que viagem do dinheiro foi essa? Cadê a explicação?”.

“O dinheiro cai, US$ 2 milhões no fundo Havengate no Texas, onde Eduardo Bolsonaro mora, dia 14 de fevereiro. Final de fevereiro, compraram uma casa na mesma cidade do Texas. O que é que essa casa tem a ver com o filme? Estavam gravando lá?”, acrescentou.

BOLSONARISMO ENVOLVIDO NAS FRAUDES

O deputado, que é vice-líder do governo Lula no Congresso, apontou que a negociação entre Flávio e Vorcaro ocorreu quando outros bolsonaristas já faziam o envio de dinheiro público ou de fundos de pensão de servidores para o esquema criminoso de Vorcaro.

“Vossa Excelência não sabia da aplicação do Rioprevidência, governado pelo seu partido, no seu Estado, pelo PL, por Cláudio Castro, de R$ 970 milhões, sem Fundo Garantidor? Vossa Excelência não sabe de nada? Vossa Excelência não sabia o que tava acontecendo aqui com o BRB?”.

BASE DO GOVERNO LULA ASSINOU PEDIDOS DE CPI

Flávio Bolsonaro, tentando fugir das perguntas, disse que é a favor da instalação de uma CPI do Banco Master e que, por outro lado, a base do governo Lula é contra.

Lindbergh Farias rebateu essa mentira. “Nós defendemos CPI, é mentira que a gente não assinou CPI. Assinamos a do [deputado Rodrigo] Rollemberg, assinamos da Luiza Erundina, da Fernanda Melchionna. Nosso deputado, senador Rogério [Correia], tem um pedido de CPI, eu tenho outro pedido de CPI. Nós queremos CPI!”, assinalou.

“Agora, melhor seria se eles se antecipassem, se Eduardo Bolsonaro falasse: ‘Olha, os R$ 61 milhões foram todos investidos dessa forma’”, concluiu.

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