Malásia acionará governo de Israel, junto à Corte de Haia, por agressão a ativistas da Flotilha humanitária

29 ativistas da Malásia na Flotilha a Gaza na chegada ao aeroporto de Istambul (Embaixada da Malásia na Turquia)

O governo da Malásia prepara uma ação judicial contra o governo de Israel perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), também conhecida como Corte de Haia, pelo sequestro e tortura de ativistas da Flotilha Sumud, que seguia para Gaza, segundo o jornal The Malay Mail, nesta segunda-feira (25).

Amirudin Shari, ministro-chefe do estado malaio, afirmou que a ação judicial será protocolada assim que a equipe jurídica concluir a coleta de provas e documentos referentes às violações do direito internacional relacionadas aos eventos relatados.

Mais de 400 ativistas internacionais a bordo da flotilha, que tinha como objetivo romper o bloqueio naval israelense à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária, foram atacados, detidos e torturados pelas forças israelenses na semana passada em águas internacionais.

“Não ficaremos em silêncio, não vamos parar. Enquanto a equipe jurídica reúne toda a documentação sobre as violações do direito internacional, eles (os participantes da flotilha) foram sequestrados mais de uma vez, foram torturados”, disse Amirudin durante a cerimônia de boas-vindas da Flotilha Global Sumud 2.0 no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur.

“Levaremos isso ao tribunal internacional, continuaremos com a pressão diplomática e também viajaremos por toda a Malásia”, assegurou.

Amirudin afirmou que a ação judicial decorre dos denunciados atos de brutalidade, incluindo sequestro e tortura, envolvendo ativistas da flotilha, particularmente participantes malaios.

PRESSÃO DA MALÁSIA EXIGE “LIBERTAÇÃO TOTAL” DE GAZA

Ele acrescentou que a medida será seguida de pressão diplomática contínua por parte do governo para exigir a “libertação total” de Gaza.

Amirudin afirmou que, embora a missão FGS 2.0 tenha sido concluída, o compromisso da Malásia com a causa palestina continuará.

O ministro informou que existem planos para trazer conferências internacionais relacionadas à Palestina para a Malásia no futuro, a fim de fortalecer os esforços de defesa da causa.

Ele acrescentou que as flotilhas e as ações internacionais continuarão a luta até que o bloqueio a Gaza seja suspenso.

Na segunda-feira (18), as forças israelenses atacaram a flotilha em águas internacionais ao largo da costa cipriota.

Na quarta-feira última, Ben Gvir, fascista responsável pela polícia e administração penitenciária, provocou indignação internacional e até mesmo críticas de seu próprio governo ao publicar um vídeo com imagens que mostram os ativistas humanitários que levavam medicamentos e alimentos a Gaza ajoelhados, com as mãos amarradas atrás e com as cabeças voltadas ao chão.

A Flotilha Global Sumud confirmou que ativistas sequestrados de embarcações com destino a Gaza foram submetidos a violência sexual, agressões físicas e tratamento degradante.

Em comunicado, os ativistas afirmaram que as forças israelenses atacaram o primeiro de seus barcos “em plena luz do dia”, em águas internacionais, enquanto navios militares interceptaram a frota.

A flotilha exigiu “passagem segura” para sua missão humanitária ao território palestino bloqueado, denunciando o regime israelense por praticar “atos ilegais de pirataria”.

Esta não é a primeira vez que a iniciativa de transferir ajuda urgentemente necessária à Faixa de Gaza é dificultada pelo regime, já que a estreita faixa costeira continua a sofrer as consequências catastróficas de uma guerra de genocídio promovida por Tel Aviv, que começou em outubro de 2023 e, segue com bombardeios intermitentes apesar de um declarado e não obedecido cessar-fogo.

O genocídio também foi caracterizado pela instrumentalização de alimentos e outros produtos vitais como armas de extermínio, em consequência do endurecimento do cerco a Gaza pelo regime, que se estende de 2007 até os dias atuais.

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