Lula anuncia investimento de R$ 2,8 bi da Petrobrás e denuncia venda da Eletrobrás: “maior roubo da história do país”

"O que o Brasil ganhou quando privatizaram a BR Distribuidora?”, questionou o presidente (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

Presidente defendeu a soberania do Brasil nas áreas de combustíveis e energia durante ato que destinou R$ 2,8 bilhões para ampliação da produção de gás natural e à construção de embarcações de transporte de combustível marítimo na Amazônia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou, nesta quarta-feira (27), as privatizações no setor de combustíveis e energia realizadas no desgoverno do golpista Jair Bolsonaro (PL). A manifestação ocorreu durante o anúncio de retomada dos investimentos da Petrobrás no Amazonas. O governo investirá R$ 2,8 bilhões até 2030.

Ao fazer a crítica, Lula citou a venda da BR Distribuidora e questionou os resultados da operação para o país. “Alguém pode me explicar o que o Brasil ganhou quando privatizaram a BR?”, afirmou.

Na sequência, o presidente direcionou o ataque à privatização da Eletrobrás. “Eu vou dizer para vocês o que é a privatização: a privatização que eles estão fazendo, como fizeram com a Eletrobrás, foi o maior roubo da história desse país a privatização da Eletrobras”, declarou durante o evento no estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia.

Lula afirmou que a Eletrobrás era a maior empresa de energia do país e criticou a diferença entre a remuneração da presidência da companhia antes e depois da privatização. “A maior empresa de energia que a gente tinha foi vendida na bacia das almas e o salário do presidente da Eletrobrás quando era do governo era de R$ 60 mil por mês. Hoje é de R$ 360 mil a R$ 500 mil. Cadê a moralização?”, questionou.

“A Petrobrás não tem que pensar só na Petrobrás enquanto empresa. A Petrobrás tem que pensar no Brasil. O Brasil é dono dela, não é ela que é dona do Brasil. Não é o que a Petrobrás precisa; é o que o Brasil precisa”, declarou o presidente, citando a construção de barcaças no Amazonas como exemplo de investimento que pode fortalecer a indústria nacional. Para ele, importar equipamentos que o Brasil tem condições de produzir significaria abrir mão de empregos e conhecimento tecnológico.

“Se a gente não fizer as barcaças aqui, a gente não gera emprego, não gera conhecimento tecnológico, não forma bons profissionais”, disse. “Não tem por que a gente importar. O minério de ferro é nosso, a siderúrgica é nossa, o estaleiro é nosso, a Petrobras é nossa. Por que a gente tem que comprar dos outros?”, sentenciou.

Lula ainda resgatou a história da Petrobrás, criada ainda em 1953 pelo presidente Getúlio Vargas, lembrando que os entreguistas e golpistas, à época, resistiram ao monopólio estatal do petróleo, pois queriam que o país continuasse dependente do petróleo importado dos Estados Unidos. Ele mencionou também outras tentativas de venda da empresa e a proposta, ainda no governo FHC, de mudança do nome para Petrobrax.

PRODUÇÃO DE GÁS

Do total de recursos, R$ 2,5 bilhões serão destinados à ampliação da produção de gás natural no Polo Urucu, em Coari, e à construção de embarcações de transporte de combustível marítimo. De acordo com a Petrobrás, o montante será usado na perfuração de novos poços e na instalação de cerca de 40 quilômetros de linhas para conectar novas áreas de produção.

O Polo Urucu é responsável por 65% da demanda de energia elétrica de Manaus e outros cinco municípios do estado, e por uma média de 80 mil botijões de gás de cozinha por dia, abastecendo os estados do Norte e Nordeste.

“Há cerca de 10 anos que a Petrobrás não investe no Amazonas. E nós estamos de volta para cumprir, dentre outras coisas, o nosso papel de garantir a produção de óleo e gás do estado”, declarou a presidente da estatal, Magda Chambriard.

Lula ressaltou que o retorno de investimentos ocorre após privatizações no setor. A Petrobrás vendeu o controle acionário da BR Distribuidora entre 2019 e 2021 que, após a transição, passou a se chamar Vibra Energia.

O governo anunciou também a construção de 18 barcaças encomendadas pela Transpetro, um investimento de R$ 303,5 milhões, parte do Programa Mar Aberto, criado para aumentar e renovar a frota da Petrobrás. O governo estima a geração de cerca de 3,3 mil empregos diretos e indiretos no Amazonas.

DEFESA DA INDÚSTRIA NACIONAL

O presidente defendeu os investimentos da Petrobrás no estado como valorização da indústria nacional e desenvolvimento econômico local, bem como da soberania nacional.

“O governo tem que governar para todo mundo. Mas isso é teórico. Na prática, a gente tem que governar para as pessoas que mais precisam. O que temos que fazer para os ricos é o que estamos fazendo aqui”, disse.

“Tem um empresário brasileiro que tem um estaleiro de primeira qualidade, tem expertise em produzir barcaças aqui. Ao invés de a gente ir para a China, para a Coreia ou para Cingapura, a gente vem para Manaus, produzir aqui nesse estado. Isso significa soberania, respeito à pátria, ao povo brasileiro. Isso significa acreditar no Brasil”, observou ainda Lula.

FESTIVAL DE PARINTINS

Segundo o presidente, a Petrobrás assinou uma parceria para financiar o Festival de Parintins, festa tradicional dos bois Garantido e Caprichoso. A ideia é ampliar o alcance nacional do evento. “Hoje, esse festival é a maior lição de civilidade que a gente pode dar ao Brasil. Por que tem tanta rixa na política, no esporte?”, questionou.

“O Caprichoso e o Garantido em Parintins, que passam o ano inteiro se preparando, um para derrotar o outro, um para fazer a melhor apresentação que o outro, entram naquele estádio (Bumbódromo), metade azul, metade vermelho. Quando a metade azul está fazendo sua apresentação, a metade vermelha fica assistindo quietinha. Quando acaba, azul vai se apresentar e vermelho fica quietinha”, contou o chefe do Executivo.

“Ou seja, numa demonstração de que o Brasil pode aprender com o Festival de Parintins. Política pode ser civilizada, o esporte pode ser civilizado. E Parintins, através do Garantido e do Caprichoso, pode nos ensinar como a cultura, que tantos têm medo, pode ajudar a fazer uma revolução comportamental. Você não precisa pensar igual a mim, não precisa torcer para o mesmo time, não precisa ter minha religião, não tem que gostar de tudo que eu gosto, mas eu tenho que respeitar você do jeito que você é, e você tem que me respeitar do jeito que eu sou. Isso se chama democracia civilizada”, completou.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *