Na repressão a protestos populares, governo da Bolívia revoga lei que defendia o povo do estado de exceção

Seguem os protestos na Bolívia (BBC)

O governo do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, está sob uma onda de protestos de bolivianos que rejeitam seu arrocho neoliberal. Depois de 6 meses desde que assumiu o posto, o presidente boliviano já se encontra em sua maior crise política até agora.

Ameaçando o povo com mais repressão, ele promulgou nesta quarta-feira, 27, a revogação da lei que limitava os poderes do presidente da República para decretar estado de exceção e despejar forças nas ruas para sustar o levante popular. No final da noite de ontem, a Câmara dos Deputados da Bolívia aprovou a medida que dá poderes excepcionais de repressão ao presidente e é um ataque contra o estado de direito boliviano.

Na cidade de La Paz, que está paralisada há quatro semanas, com escassez de alimentos, combustível e medicamentos com trabalhadores protestando nas ruas, na sua maioria de baixa renda e membros da maioria indígena boliviana.

Nesta quarta-feira, 27 de maio, o dia das mães é celebrado na Bolívia e para comemorar essa data, milhares de mulheres indígenas, vestidas com suas roupas tradicionais, marcharam por La Paz em apoio aos trabalhadores em greve.

Os manifestantes exigem a renúncia do presidente direitista, que seja revertida suas políticas de arrocho e que seja abordado o aumento do custo de vida. Impulsionado por lideranças sindicais e apoiadores do ex-presidente, Evo Morales, os manifestantes são compostos por trabalhadores camponeses, mineiros, indígenas, professores e outras categorias.

Opositores da medida, denunciaram que o uso dos militares contra o povo só irá piorar a situação que já é volátil e intensificar o conflito. A deputada boliviana, Sonia Siñani, fez um alerta contra o envio de tropas. “Estamos derramando gasolina no fogo”, disse a deputada na terça-feira.

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