O exército invasor israelense bombardeou na quarta-feira (27) a cidade libanesa de Tiro, menos de duas horas após ordenar, em violação ao direito internacional, o deslocamento forçado de 200.000 moradores da região e, claro, ignorando o cessar-fogo que o regime Trump diz existir. A expulsão inclui os campos de refugiados palestinos da área.
Tiro é uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo e o bombardeio israelense causou consideráveis danos ao sítio do Patrimônio Mundial da UNESCO. “Nossas aldeias foram sistematicamente arrasadas nesses últimos meses, e agora as próprias cidades estão na mira”, denunciou o jornalista libanês Ali Hashem no X.
Ataques aéreos israelenses atingiram várias cidades, incluindo Qsaybeh, Houmine al-Fawqa, Jarjou’, Haddatha, Yater, Qaaqaiyat al-Jisr e Kfar Houna, além de Kfar Jouz, Mleekh e al-Luwaizeh no sul. Na região da Bekaa, aviões de guerra israelenses atacaram as terras altas de Hrabta, bem como a área entre as colinas de Brital e al-Khraibeh. Novos ataques também foram relatados nos arredores de Hermel, no norte de Bekaa.
Segundo o correspondente da Al Mayadeen no sul do Líbano, três pessoas foram mortas na agressão israelense à cidade de Shoukine, no distrito de Nabatieh.
Na véspera, pelo menos 31 pessoas foram mortas e outras 40 ficaram feridas no Líbano devido à intensa onda de ataques aéreos e operações terrestres de Israel. Carnificina que levou o Ministério da Saúde libanês a declarar a terça-feira como um dos dias mais letais das últimas semanas. As agências de notícias reportaram 14 mortes em uma única cidade (Burj al-Shamali) e 12 fatalidades em um vilarejo no leste libanês.
Em um contexto separado, o Exército Libanês anunciou que conseguiu recuperar o corpo de um soldado morto ontem, depois que drones israelenses impediram qualquer pessoa de se aproximar dele perto da Barragem Qaraoun, no leste do Líbano.
Desde que Israel renovou seus ataques ao Líbano em março, no início da guerra dos EUA-Israel contra o Irã, mais de 3.200 libaneses foram mortos — incluindo centenas de mulheres e crianças —, quase 10.000 ficaram feridos e mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas à força, segundo autoridades.
Assim como em Gaza, as forças israelenses foram acusadas de atacar deliberadamente a infraestrutura de saúde do Líbano, incluindo socorristas, além de jornalistas.
As forças do regime Netanyahu/Gvir também estenderam sua chamada “Linha Amarela” no Líbano, que designaram principalmente ao longo do rio Litani, o que alegam ser para conter ataques de drones do Hezbollah, que resiste à agressão e reincidência na tentativa de recolonização. O sul do Líbano esteve sob ocupação israelense durante 18 anos, até sua expulsão em 2.000 pela resistência islâmica.
No início deste mês, o ministro da Segurança israelense, Itamar Ben-Gvir, revelou a existência de um “plano de assentamentos” para o sul do Líbano, enquanto o também ministro, além de ladrão de terras, Bezalel Smotrich (Finanças), afirmou que “o Litani deve ser nossa nova fronteira.”
Acredita-se que o Tribunal Penal Internacional esteja buscando a prisão de Ben-Gvir e Smotrich em conexão com a limpeza étnica e colonização de colonos na Cisjordânia ocupada ilegalmente. O tribunal sediado em Haia já emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza.











