Traidores da pátria foram pedir “intervenção dos EUA no Brasil”, denuncia Lula

Em Sergipe, Lula critica intenção dos EUA de se intrometer em assuntos internos do Brasil (Foto: reprodução)

“Não aceitamos ser tratados como moleque. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, disse o presidente. Ele ironizou o que Flávio Bolsonaro fez: “se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá”, disse o chefe do Executivo

O presidente Lula criticou nesta sexta-feira (29) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter pedido ao governo dos EUA para classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Especialistas alertam que essa medida da Casa Branca dificulta o combate ao crime organizado e ameaça a soberania brasileira. As declarações foram dadas em Sergipe, onde o presidente anunciou mais de R$ 72,5 bi em investimentos da Petrobrás no estado

Ele denunciou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que os criminosos brasileiros são terroristas e que eles (EUA) podem fazer intervenção aqui. “Eu quero dizer que esse tal de PCC e comando Vermelho, são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo das periferias desse país, eles são terroristas, porque eles incomodam as famílias, incomodam os bairros, eles roubam tudo que tem direito do povo. Então eles são terroristas e nós vamos combatê-los aqui dentro”, afirmou.

“Nós aprovamos uma lei antifacção e aprovamos uma lei para combater o crime organizado e vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama Bin Laden, etc, e nós queremos os terroristas que estão lá. Porque vocês sabiam que as armas que são contrabandeadas para dentro do Brasil, veem dos EUA. Veem lá as armas”, denunciou.

Ele disse que quando eu esteve lá, entregou um documento ao Trump e falou que o Brasil está disposto a combater o crime organizado. “E nós vamos começar pelo seu estado de Delawar, onde tem lavagem de dinheiro de brasileiros. Vamos começar por aí. Vamos começar por entregar o Ramagem que está condenado e está escondido lá”, destacou Lula.

“Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, o Cláudio Magro, que desvio recursos e está morando em Miami”, prosseguiu o presidente. “Entreguei o nome completo e a foto da casa dele. Quer combater o crime organizado, entreguem os nosso que estão lá”, disse Lula. “Não aceitamos ser tratados como moleque. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta.

Lula acusou Flávio Bolsonaro de “trair a pátria” ao pedir uma intervenção estrangeira em assuntos de segurança pública nacional. “Eu tive três horas com o presidente [Donald] Trump, entreguei quatro documentos a ele. O senhor Marco Rubio [Secretário de Estado dos EUA] não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado para ajudar um filho de bolsonarista que é candidato à eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou o presidente.

“Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles [apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro] ficavam presos lá”, emendou Lula.

Minutos antes da fala de Lula, o Planalto divulgou uma nota em que criticou a família Bolsonaro e mencionou que a nova classificação pode colocar em risco o sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, o PIX. O texto também afirma que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”.

Outro trecho da nota destaca a aprovação recente de uma lei com penas mais duras contra facções e milícias, que podem chegar a até 80 anos de prisão. A avaliação no Palácio do Planalto é que a medida abriria margem para ações como uma intervenção militar no Brasil.

No comunicado, o governo enfatiza a importância da soberania nacional e esclarece que não aceitará interferência estrangeira. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”, conclui o texto. A medida adotada por Washington foi anunciada oficialmente pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Segundo o comunicado do governo Trump, o PCC e o Comando Vermelho estão entre as organizações mais violentas do continente, com ramificações internacionais que alcançam o território norte-americano por meio do narcotráfico. As novas classificações abrem a possibilidade de sanções para indivíduos e empresas ligadas às facções, e pode haver reflexos nas avaliações de agências de classificação de risco, além de outros efeitos secundários na economia.

Leia a nota do Governo do Brasil na íntegra

O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país. A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.

Assista ao discurso do presidente Lula em Sergipe

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *