Prender Flávio não carece baixar maioridade penal. Basta seguir a grana do Vorcaro

Rodrigo Bacellar, preso por ligações com o CV, e Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução)

Votar açodadamente matéria tão séria é manobra fajuta dos fascistas para tentar mudar de assunto e fugir das necessárias explicações sobre o PIX de R$ 61 milhões do Master para Flávio, que é maior de idade

O flagrante de Flávio pegando dinheiro com Daniel Vorcaro e declarando apoio irrestrito ao banqueiro ladrão foi tão arrasador para a campanha fascista ao Planalto que os bolsonaristas estão desesperados para mudar de assunto.

Decidiram colocar às pressas a discussão sobre a redução da maioridade penal. Aprovaram a matéria a toque de caixa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O objetivo, é claro, não tem nada a ver com o combate à criminalidade. É só uma tentativa de mudar de assunto e, se possível, ajudar as facções criminosas, como sempre faz o bolsonarismo.

PRESÍDIOS DOMINADOS

Sim porque, o argumento de que a medida enfraqueceria as facções criminosas tirando os jovens de 16 a 18 anos das ruas e colocando no sistema penitenciário é uma grande falácia. Esta é uma medida que só vai acelerar o recrutamento dos jovens dentro das prisões pelo Comando Vermelho (CV) e pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Estas facções hoje, com a incompetência – e a conivência – de governadores dos principais estados, dominam os presídios brasileiros.

Sem dúvida esse é um assunto muito sério para ser tratado da forma irresponsável como querem os fascistas. A comunidade realmente quer se proteger e os jovens que foram cooptados pelo crime precisam estar recolhidos em instituições que, além de punitivas, devem ser especializadas em recuperação e na ressocialização desses jovens. Qualquer sociedade séria pensa nisso e no futuro do país e não entrega sua juventude à granel para as facções criminosas, como querem os bolsonaros.

A outra falácia é a de que prender jovens de 16 e 18 anos resolveria o problema do uso, pelos bandidos, de menores como “auxiliares” do crime. Nada impede que os criminosos passem a recrutar jovens de 14 e 16 anos para substituir os “maiores” retirados da praça. E assim as prisões irão sucessivamente chegar às tenras idades. Nos EUA, por exemplo, modelo que os bolsonaristas gostam de macaquear, até crianças vão para cadeia e a criminalidade não para de crescer naquele país.

É claro que temos que criar e/ou fortalecer as instituições especializadas que separem jovens com delitos leves daqueles que cometeram crimes graves. Isto é imperativo. Não há outro caminho. Além da recuperação e da punição seletiva, segundo a gravidade dos crimes, a juventude brasileira precisa ser urgentemente acolhida nas fábricas – que precisam voltar logo -, nas escolas – que precisam melhorar – e nas demais empresas do país para deixarem de ser presas fáceis do crime.

PEC DA SEGURANÇA

É necessário fazer com urgência o que precisa ser feito. Fazer o país crescer e combater firmemente todo os tipos de crimes. Este é o caminho concreto a ser seguido. Não adiante subterfúgios. As medidas anunciadas pelo governo Lula, tanto as de cunho econômico e social, como a Lei antifacção, endurecendo penas, e a PEC da Segurança Pública – que está em tramitação – vão nesta direção e são fundamentais para enfrentar a criminalidade.

O caminho apontado pelo bolsonarismo não combate crime nenhum. Eles querem jogar todos os jovens infratores nos presídios dominados pelas facções criminosas. E isto significa decretar o recrutamento em massa desses jovens, tanto os que cometeram crimes leves quanto os mais perigosos, pelas facções mafiosas. Defender este caminho não passa de demagogia barata. Vindo do bolsonarismo não se poderia esperar outra coisa. Eles fingem que combatem bandidos mas trabalham para fortalecer o crime organizado.

Se não, vejamos. Tentaram deturpar a Lei antifacção do governo federal para enfraquecer a Polícia Federal. Isso no exato momento em que a PF realizava operações importantíssimas, como Carbono Oculto e Compliance Zero, que desmantelaram esquemas pesados de lavagem de dinheiro das organizações criminosas. Guilherme Derrite, deputado bolsonarista de São Paulo assumiu a relatoria do projeto antifacção e tentou livrar a barra dos bandidos afastando a PF dos estados. Até o arresto de bens dos criminosos pela Justiça ele tentou dificultar.

Uma outra demonstração da proteção que os bolsonaristas tentam dar aos integrantes do crime organizado é a oposição que eles fazem à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada pelo governo Lula. A PEC garante a união de forças em todos os níveis da federação, aumenta muito os recursos em ação repressiva, em inteligência e no sistema prisional. Mas os bolsonaristas sabotam de todas as formas possíveis a aprovação da proposta. Não querem fortalecer efetivamente o combate ao crime.

FLAVIO COMANDO VERMELHO

É forçoso afirmar que não precisa reduzir a maioridade penal para colocar grandes apoiadores do Comando Vermelho na prisão. Flávio Bolsonaro, por exemplo, é maior de idade e está envolvido até o pescoço, tanto com banqueiro ladrão, Daniel Vorcaro, quanto com os integrantes desta facção criminosa. Ele não está ligado apenas às milícias do Rio de Janeiro, como é sabido, mas tem ligações profundas com o Comando Vermelho.

Três aliados seus estão presos por trabalharem para a facção criminosa fluminense. E não são quaisquer aliados. O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, é um deles. Ele era o candidato preferido de Flávio para o governo do Rio. Bacellar foi preso por alertar o CV sobre operações da polícia.

Dois secretários de Estado do governo do Rio de Janeiro, indicados pelo senador e candidato a presidente na gestão Cláudio Castro, também estão presos por atuarem para o CV. São eles, o ex-secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, e o ex-Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena. Todos indicados por Flávio e todos presos por atuarem para o CV. Isso sem falar do ex-vereador TH Joias, amigo de Flávio e traficante de armas do CV.

Outra medida defendida pelos bolsonaristas e que fortalece o crime organizado foi pedir a Trump para definir as organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. Eles pediram aos EUA para fazer essa mudança. O ditador americano, é claro, já trabalhava com essa ideia para arrombar as portas do país e viabilizar possíveis intervenções da CIA e dos militares dos EUA. Tudo sob o pretexto de combater os “narcoterroristas”. Exatamente como ele fez na Venezuela para roubar o petróleo do país vizinho.

AJUDA AOS CRIMINOSOS

Mas, mais grave ainda, é que isso, na verdade, não só ameaça a soberania do país, como dificulta bastante o combate às organizações criminosas. É o que afirma o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e integrante do GAECO, Lincoln Gakiya, maior especialista do país no combate ao PCC. Ele diz que a medida faz com que essas organizações passem a ser acompanhadas pela CIA e as FFAA dos EUA que não trocam informações com a polícia brasileira. Da forma que é hoje, segundo o promotor, há uma intensa troca de informações entre a PF e as demais polícias brasileiras e o FBI e o DEA no combate ao crime.

Ou seja, o bolsonarismo, além de ter lavado dinheiro e acobertado chefes de milícia, está completamente imbricado com o crime organizado. Eles trabalham para protegê-lo. A tentativa de chegada ao poder por parte de Flávio Bolsonaro não é outra coisa senão a oportunidade, enxergada pelo crime organizado, de alcançar o centro do poder no Brasil.

Vê-se portanto, que além da tentativa de mudar de assunto e tentar blindar o escândalo que ficou conhecido como “Tariflávio BolsoMaster”, os bolsonaristas querem também, de fato, fortalecer as facções atrapalhando o trabalho conjunto da PF e do FBI. E mais escandalosamente ainda. Querem abastecer as facções com milhares de jovens de 16 e 18 anos que seriam despejados nos presídios dominados pelo CV e PCC.

SÉRGIO CRUZ

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