Ofensas de Milei ao Brasil “foram sem precedentes, grosseiras e inaceitáveis”, afirma chanceler

Chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores (Foto: Evaristo Sá - AFP)

“Nós precisamos de explicações do governo argentino do porquê que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, assinalou Mauro Vieira

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, apontou que foram “graves e muito mal recebidos” os ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Javier Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), realizado no sábado (25), e fez discurso chamando o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” e “criminoso” e Lula de “corrupto”.

As declarações do chanceler foram feitas à TV Globo.

Mauro Vieira afirmou que “essas declarações foram críticas, e de uma forma muito agressiva, ao governo brasileiro, ao povo brasileiro e às instituições – ao Executivo, ao Legislativo e ao próprio Presidente da República. Foi uma interferência em assuntos domésticos, em assuntos nacionais”, de Milei ao se envolver “em uma questão político-partidária”.

“Essa é uma situação nova. Eu não conheço nenhum precedente com este nível de gravidade”, comentou.

No sábado, o governo brasileiro chamou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Glinternick Bitelli, para consultas, “o que ocorre em momentos graves e em momentos de crise”.

“Essa é uma crise porque é inaceitável o que foi dito no território brasileiro sobre as instituições brasileiras e o presidente da República. O presidente da Argentina saiu do seu país, cruzou a fronteira e veio ao Brasil fazer as críticas”, explicou.

Além disso, o chanceler brasileiro esteve com o embaixador da Argentina no Brasil para “transmitir a ele o mal-estar e o desagrado do governo brasileiro”.

Mauro Vieira explicou que o Brasil não vai retirar seu embaixador da Argentina, pois este seria “um passo de grande gravidade. Dentro desse contexto de preservação, nós não vamos fazer isso”.

“Nós precisamos de explicações do governo argentino do porquê que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, assinalou.

“Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas nós temos que trabalhar pelo entendimento entre as nações, e a diplomacia é feita disso, de conversas”, completou.

Vieira ressaltou que a relação entre os países é considerada “estratégica e muito importante”.

Leia nota do Itamaraty sobre o episódio:

Agressões do Presidente da Argentina em território brasileiro

Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou na tarde deste domingo o Embaixador da República Argentina, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do Governo brasileiro aos impropérios emitidos pelo Presidente Javier Milei durante a sua visita privada a São Paulo, em 25 de julho, e cobrar explicações sobre o comportamento do mandatário argentino em território brasileiro.

Também neste domingo, por determinação do Ministro Mauro Vieira, o Embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a consultas ao Brasil.

Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial.

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