Banqueiros projetam inflação mais baixa e mantém Selic em 14% no final de 2026
Os bancos e demais rentistas mantiveram suas estimativas de 14% para a taxa Selic, taxa de juros básicos da economia, ao final de 2026, pela quinta semana seguida, no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (27).
Enquanto isso a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), por eles projetada, teve seu percentual reduzido para 5,12% nesta semana e vem sendo reduzida há quatro semanas, quando o percentual do boletim foi de 5,33%. Nesses termos os ganhos projetados só aumentam, com a Selic em 14%, descontada a inflação, o juro real é o maior do planeta.
Durante este ano, sob pressão da sociedade pela imediata queda dos juros, em particular o setor produtivo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic a conta-gotas. Foram apenas 0,25 ponto percentual nas três reuniões realizadas até então, com a Selic hoje nos atuais 14,25%.
Com a inflação em 4,64%, em doze meses até junho, segundo o IBGE, o nível de juros reais em torno de 10% sufoca a economia, penaliza o investimento produtivo, o consumo das famílias e premia predatoriamente as aplicações financeiras que não geram nem uma mesa escolar, nenhum produto, nenhum serviço.
No Ranking Mundial de Juros Reais, em 16 junho deste ano, conforme a consultoria MoneYou, a taxa de juro nominal, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, colocou o Brasil no primeiro lugar em juro real entre as 40 maiores economias do mundo, uma verdadeira farra para especuladores e rentistas em geral.
Na tabela: Brasil vem com 9,67%, Rússia em plena guerra e boicote econômico vem com 9,31%. Turquia 5,57% e México 5,10%. A partir da quinta colocação, África do Sul, todas as demais 35 economias têm taxas básica menores que 3,74% ao ano.
A partir da Austrália, na 13º colocação, as taxas ficam abaixo de 2%. Depois do 20º. lugar (Hong Kong) com taxa de 0,71%. São mais 14 economias nos patamares abaixo de 1%.
E temos ainda taxas menores que zero, como o da Nova Zelândia -0,10%; Filipinas -0,19% e o Japão no 40º lugar com taxa básica negativa de -1,75%.
O mercado financeiro segue pressionando o governo Lula a cortar investimentos públicos, a fim de garantir o pagamento dos juros da dívida pública, sem qualquer teto, que atingem a soma na casa de mais de um trilhão de reais, algo em torno de mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado em 12 meses.
As projeções do boletim trazem ainda, para o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas no país, uma projeção do mercado financeiro em 1,99%, mesmo valor da semana anterior. A estimativa para o câmbio, por sua vez, foi mantida em R$ 5,20. Para 2027, o boletim elevou a projeção da inflação de 4,20% para 4,22%. A estimativa de crescimento do PIB caiu de 1,65% para 1,60%.
O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central.










