“O Irã foi o vencedor desta guerra, e o povo iraniano é o verdadeiro vencedor de tudo. Naturalmente, após tal vitória, é necessário consolidá-la por meio de um acordo ou entendimento”, acrescentou o ministro das Relações Exteriores do Irã
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, delineou a estrutura de um possível memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos, ao mesmo tempo em que destacou que a diplomacia visa consolidar os avanços alcançados pela República Islâmica no campo de batalha.
Em uma entrevista televisionada na sexta-feira (12), o principal diplomata identificou a República Iraniana como a única parte a sair vitoriosa diante do mais recente surto de agressão americano-israelense contra o país, dizendo que o resultado reflete uma “grande conquista estratégica.
POVO É O VERDADEIRO VENCEDOR
“O Irã foi o vencedor desta guerra, e o povo iraniano é o verdadeiro vencedor de tudo”, afirmou Araghchi. Ele lembrou que a vitória aconteceu, embora ambos os agressores estivessem equipados com armas avançadas, incluindo capacidades nucleares, mas foram impedidos pelo Irã de alcançar seus objetivos. “Naturalmente, após tal vitória, é necessário consolidá-la por meio de um acordo ou entendimento”, acrescentou o ministro.
Os esforços diplomáticos voltados para reforçar o triunfo, acrescentou o ministro, “estavam agora em suas fases finais e baseados em um memorando de entendimento de 14 pontos”. Ele enfatizou que o documento ainda está sujeito a alterações até aprovação final e que seus detalhes serão anunciados após a conclusão. Araghchi descreveu as 14 disposições como interconectadas, dizendo que formavam um único pacote.
O ministro explicou que múltiplos rascunhos do memorando foram revisados dentro das instituições de tomada de decisão do Irã, incluindo o Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC). Segundo o representante do Irã, o processo é dividido em duas etapas, a saber, a realização de um memorando de entendimento inicial entre Irã e Estados Unidos, e uma segunda fase, que deve incluir negociações que levem a um possível acordo final.
Ele acrescentou que os ativos congelados do Irã serão liberados após a assinatura do memorando de entendimento, acrescentando que o processo de assinatura pode ocorrer em formato digital em um ou dois dias. “A segunda fase deve durar cerca de 60 dias”, observou Araghchi. O ministro afirmou que temas sensíveis, como a questão nuclear envolvendo enriquecimento de urânio e urânio altamente enriquecido, foram adiados para a segunda etapa.
Ele também afirmou que a posição do Irã sobre os materiais altamente enriquecidos é que eles devem ser diluídos exclusivamente dentro do país, sendo esta a única opção viável. Na segunda fase, as negociações também se concentrariam na remoção das sanções ilegais dos EUA, acrescentou o líder iraniano. Araghchi observou que o Líbano nunca foi excluído das considerações estratégicas do Irã. “Nunca esquecemos o Líbano nesta guerra”, afirmou. Ele citou a forma como o Irã respondeu às violações do cessar-fogo com o Líbano pelo regime israelense como “outra conquista estratégica.”
IRÃ MOSTROU QUE NÃO ESTÁ BRINCANDO
A resposta iraniana, acrescentou, mostrou que “ele (o Irã) não está brincando e que, se necessário, não apenas não teme a guerra, mas também a empregará onde for necessário.” Uma conclusão definitiva da guerra deve incluir a retirada do regime israelense das áreas que ocupou no Líbano, prosseguiu. Segundo o quadro proposto, as hostilidades terminariam em todas as frentes, incluindo o Líbano, e nenhum dos lados iniciaria guerra ou usaria força, destacou Araghchi.
Qualquer acordo potencial, portanto, apresenta respeito mútuo à soberania, disse o ministro das Relações Exteriores, acrescentando que tal acordo testemunharia, portanto, a primeira instância, em que os Estados Unidos reconheceriam explicitamente e documentariam o respeito à soberania do Irã.
Araghchi disse que a primeira cláusula do acordo proposto diz respeito ao levantamento do bloqueio naval ilegal imposto pelos Estados Unidos contra o Irã. Ele acrescentou que o possível acordo incluiria adicionalmente um plano de reconstrução econômica para tratar dos danos relacionados à guerra. Ele disse que o plano será discutido em detalhes após a finalização, acrescentando que inclui disposições relacionadas à compensação por danos e será projetado para canalizar recursos financeiros significativos para a economia iraniana.
A segunda fase das negociações deve durar 60 dias, explicou o ministro, mas pode ser estendida se ambos os lados estiverem satisfeitos com o progresso. No entanto, se não houver progresso suficiente, o processo não será levado a um acordo final, observou o ministro. Nesse caso, ele disse, a situação voltaria ao estado anterior ao memorando.
Araghchi lembrou as sucessivas ocorrências anteriores do descompromisso dos adversários com os acordos anteriores. “Não estamos lidando com partes totalmente comprometidas com suas obrigações. Eles aproveitam toda oportunidade para quebrar suas promessas”, denunciou.
ISRAEL TENTOU SABOTAR ACORDO
“Somos nós que devemos fechar as vias para quebrar compromissos, e devemos ter a capacidade, confiando em nossa própria força, de não permitir que tais violações de compromissos ocorram”, observou. Araghchi advertiu que há partes que se opõem à realização de um acordo entre Irã e Estados Unidos, identificando o regime israelense como o inimigo mais proeminente de tal acordo.
Ele disse também que Irã e Omã estão em processo de finalizar um marco legal e operacional conjunto para gerenciar o trânsito pelo estratégico Estreito de Ormuz. Espera-se que o mecanismo seja anunciado em até 60 dias, observou, acrescentando que as forças armadas do Irã continuarão a garantir a segurança na via navegável.
Araghchi apontou para a agressão americana que tem mirado no ponto de estrangulamento, dizendo que ameaças apenas atrasam as negociações e precisam parar. O Irã nunca cedeu à pressão e permanece totalmente preparado para responder a qualquer agressão, afirmou.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores lembrou que o aparato diplomático e as forças armadas da República Islâmica trabalham em conjunto para proteger os interesses da nação. “Não há dualidade entre eles… Eles devem ser a mesma pessoa. Esses dois seguem na mesma direção, em direção ao mesmo objetivo.” O ministro destacou as animadas manifestações populares que ocorreram em todo o país durante as operações retaliatórias do Irã, diante da agressão, bem como as campanhas informativas da mídia nacional diante dos agressores, como duas outras dimensões da estratégia nacional vitoriosa.
Com informações da PressTV











