Os professores da rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul, estudantes e servidores da educação realizaram uma grande manifestação em Porto Alegre, na quinta-feira (18), em protesto contra o processo de privatização da educação pública em andamento no estado.
Durante a manifestação, promovida pelo Sindicato das Professoras(es) e Funcionárias(os) de Escola do Rio Grande do Sul (Cpers ), educadores e funcionários aprovaram uma paralisação para o próximo dia 26.
Nesse dia (26), o governador Eduardo Leite pretende leiloar, na Bolsa de Valores de São Paulo, a gestão da infraestrutura de 98 escolas estaduais, por 25 anos, em um contrato estimado em R$ 4,5 bilhões.
Para o sindicato, a medida significa “comprometer recursos públicos bilionários, enfraquecer a gestão democrática e abrir caminho para a mercantilização da educação”. “Dia 26 é dia de greve. Ficaremos aqui das 10 às 15 horas, em vigília”, afirmou a presidente do Cpers, Rosane Zan.
Segundo a presidente da entidade, o projeto inicial do governo é entregar para a iniciativa privada 98 escolas. Ela alertou que “hoje são 98 escolas, amanhã podem ser as 2.300 escolas. É uma fatia muito grande de recursos públicos”.
“Há muitos anos estamos denunciando as Parcerias Público-Privadas nas escolas, mesmo antes desta gestão. Nós sempre falávamos que éramos contrários a essa lógica mercadológica. Por que entregar 98 escolas à iniciativa privada? Temos instituições de ensino com a infraestrutura comprometida em todo o estado, mas as que constam na lista são justamente aquelas que passaram por reformas recentes. O governador Leite diz que não é privatização, mas o que será, então? É verba pública indo para empresas privadas por 25 anos”, afirmou durante o ato.
De acordo com ela, além de todas as outras questões envolvidas, a entrega das 98 escolas vai gerar um “fosso de desigualdade” na rede de ensino do estado.
“Enquanto 2.300 escolas choram pela autonomia financeira, o governo vai criar uma grande desigualdade”, ressaltou, afirmando ainda que se o governo tem dinheiro para investir em parcerias privadas, significa que também tem para promover a valorização salarial dos funcionários e investir nas escolas.
O protesto foi reforçado com a presença de estudantes e representantes da União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (UGES), além de parlamentares contrários a PPP (Parceria Público Privada) da Educação.
Para a deputada estadual Sofia Cavedon (PT), a proposta do governo “tem risco de lesar o erário público”. Segundo a deputada, que deverá apresentar uma representação junto ao Ministério Público, “têm muitos exemplos de empresas que pegaram alguma obra e que não construíram, que fizeram errado”, disse.
O projeto de PPP do governo prevê que serviços de limpeza, merenda e vigilância também estão incluídos na parceria, que vai abranger os ensinos fundamental e médio.











