PF prende operadores financeiros do Comando Vermelho e bloqueia R$ 500 milhões da facção

Mansão de Arnaldo Ribeiro no Suriname - Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Justiça Federal determinou o bloqueio de quase R$ 500 milhões em bens, direitos e valores ligados ao Comando Vermelho (CV) durante uma nova fase da Operação Red Fox, deflagrada pela Polícia Federal. A ofensiva, realizada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF), também resultou na prisão de quatro investigados apontados como operadores da estrutura financeira da facção no Brasil e no Suriname.

A decisão foi autorizada pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e integra um conjunto de medidas para enfraquecer a capacidade financeira da organização criminosa. Além do bloqueio patrimonial, a investigação também levou à indisponibilidade de bens e direitos ligados aos investigados.

Ao todo, a fase ostensiva da Operação Red Fox cumpriu quatro mandados de prisão preventiva. A operação prevê 13 prisões, mas nove mandados ainda permanecem em aberto contra investigados, incluindo lideranças do Comando Vermelho que seguem foragidas.

Entre os presos está Arnaldo Ribeiro, apontado pelas investigações como um dos principais operadores financeiros da facção. Segundo a Polícia Federal, ele negociou a compra de 10 fuzis AK-47 destinados ao braço do Comando Vermelho que atua na Região Norte do país e mantinha contato direto com Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, um dos chefões da organização no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que continua foragido.

Arnaldo foi localizado em uma mansão em Paramaribo, capital do Suriname. No mesmo endereço também foi presa Denise Mendonça, apontada pela PF como operadora logística e financeira do esquema, com histórico de viagens ao país em períodos compatíveis com movimentações suspeitas de dinheiro ilícito. Os dois foram detidos pelas autoridades surinamesas, extraditados para o Brasil e receberam voz de prisão ao desembarcarem em Belém, no Pará.

De acordo com a investigação, Arnaldo chegou a movimentar mais de R$ 150 milhões durante o período apurado. Conforme a Polícia Federal, ele atuava na região de fronteira e os recursos eram destinados à compra de armamentos e drogas provenientes do exterior para abastecer o Comando Vermelho.

Outros dois investigados foram presos em território nacional. No Rio de Janeiro, a PF deteve um homem apontado como operador financeiro da facção, “suspeito de utilizar contas pessoais e empresariais para pulverizar recursos ilícitos e viabilizar pagamentos a fornecedores”.

Já em Tabatinga, no Amazonas, município localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, foi preso o responsável por uma empresa utilizada no fluxo financeiro da organização na região amazônica, “especialmente em pagamentos vinculados à logística transnacional de drogas e armas”.

Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou um sofisticado esquema para ocultar a origem dos recursos utilizados pela facção. “A investigação identificou que a organização criminosa se valia de empresas de fachada, interpostas pessoas, depósitos fracionados, transferências via PIX, contas de passagem e movimentações incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos para ocultar a origem ilícita dos valores e garantir o pagamento de fornecedores nacionais e estrangeiros”, informou a corporação.

Ao autorizar as medidas cautelares, a Justiça também determinou o bloqueio, sequestro e indisponibilidade de bens, direitos e valores até o limite de quase R$ 500 milhões, “com o objetivo de atingir a capacidade econômica da organização criminosa, impedir a dissipação patrimonial e interromper o financiamento das atividades ilícitas”.

Entre os alvos que continuam foragidos estão Edgard Alves Andrade, o Doca; Rosemberg da Silva Medeiros Gomes, conhecido como Berg e apontado como “tesoureiro” de Doca; e Silvio Andrade Costa, o Barriga. Segundo as investigações, Arnaldo negociou com Doca a compra do lote de 10 fuzis AK-47. A mando do chefe da facção, Berg realizou pagamentos fracionados ao operador financeiro, enquanto Barriga enviou a Doca uma imagem do cartão bancário de Arnaldo e uma chave Pix para o depósito de R$ 150 mil referente à aquisição das armas.

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