Senha foi dada pelo presidenciável alinhado de Trump: a carta de Marco Rubio; em outra ação, PT, PCdoB e PV acusam o PL, satélite da Casa Branca, de crimes eleitorais
O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, nesta terça-feira (30), no Ministério Público Eleitoral (MPE), duas ações, uma contra o pré-candidato da extrema-direita Flávio Bolsonaro e outra contra seu partido, o PL. Na primeira, pede-se abertura de investigação criminal e, na segunda, a apuração de indícios de violação da Lei dos Partidos Políticos vigente no país.
O que motivou as duas representações foi mais um ato explícito de vassalagem do candidato do bolsonarismo evidenciado na carta enviada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, fiel escudeiro de Donald Trump, em resposta a um ofício de Flávio Bolsonaro sobre o tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros.
O PT argumenta, com razão, que a missiva entre ambos aponta uma clara aproximação indevida entre um agente político brasileiro e um governo estrangeiro.
Segundo a peça encaminhada ao MPE, a carta “expõe, com clareza, que houve tratativa direta entre um parlamentar brasileiro e potência estrangeira”, na qual o senador teria aparentemente oferecido informações ligadas a um futuro processo de transição de governo, fomentando, com isso, a intromissão do governo de outro país, no caso, dos EUA, em assunto interno do Brasil, em mais uma indevida ameaça à soberania nacional.
A partir dessas considerações, o partido do presidente Lula reivindica a apuração de possíveis crimes, como corrupção passiva, violação de sigilo funcional e infrações contra a soberania nacional. Também pede investigação de eventual busca de apoio externo para uma campanha presidencial, hipótese vedada pela legislação brasileira.
PL, UM SATÉLITE DA CASA BRANCA
Já a segunda representação, movida contra o Partido Liberal, foi protocolada conjuntamente pelo PT, PCdoB e PV, partidos que integram a Federação Brasil da Esperança.
Nela, as agremiações sustentam haver indícios de que o PL estaria subordinado aos interesses do governo dos Estados Unidos, situação que, segundo as siglas, afrontaria a Lei dos Partidos Políticos. A peça argumenta que “equipar um governo estrangeiro com acesso privilegiado ao processo de transição de poder no Brasil equivale a submeter as decisões internas (…) à dinâmica política de Washington”.
Além da troca de correspondências entre Flávio Bolsonaro e Marco Rubio, a Federação cita outros episódios para embasar o pedido de investigação, como viagens de integrantes do PL aos Estados Unidos, o alinhamento da legenda à política externa norte-americana e a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no país.
Os partidos pedem que o Ministério Público Eleitoral apure os fatos e, caso identifique irregularidades, proponha ao Tribunal Superior Eleitoral a aplicação das sanções previstas em lei ao partido do presidiário Jair Bolsonaro e do candidato alinhado aos interesses espúrios de Trump no Brasil.











