Caso se recuse, sua posse será “inválida, por ser ilegal e ilegítima”, afirmou o senador progressista que teve 12,7 milhões de votos (49,66%)
O candidato a presidente da Colômbia pelo Pacto Histórico, senador Iván Cepeda, exigiu nesta terça-feira (30) que Abelardo de la Espriella, que foi declarado vencedor das eleições presidenciais, renuncie à cidadania norte-americana antes de assumir o cargo em 7 de agosto. Espriella é naturalizado norte-americano desde 2023 e mora em Miami.
“Para obter essa cidadania [norte-americana], Espriella prestou juramento de naturalização naquele país, o que inevitavelmente acarreta compromissos e obrigações incompatíveis com o exercício do cargo e do status de presidente da Colômbia”, reiterou Cepeda, que teve 12,7 milhões de votos, pouco menos de 300.000 votos de diferença (abaixo de 1%), numa eleição com quase 26 milhões de votantes.
“O juramento de cidadania dos Estados Unidos estabelece uma obrigação de lealdade exclusiva à ordem constitucional daquele país quando houver conflito com outras ordens constitucionais. Ou seja, em caso de conflito entre a soberania constitucional do nosso país e a dos Estados Unidos, Espriella teria que ficar ao lado desta última”.
Caso Espriella se recuse a renunciar à sua cidadania norte-americana, advertiu Cepeda, a posse dele será “inválida, ilegal e ilegítima” e nesse caso o líder do Pacto Histórico iniciará – como anunciou – a “desobediência civil pacífica” para a qual convocou seus apoiadores e eleitores.
“Se essas condições de legalidade não forem atendidas, como líder da oposição e como candidato que obteve mais de 12,7 milhões de votos na eleição de 21 de junho, não me submeterei a esta violação da nossa soberania e empreenderei o caminho da desobediência civil pacífica, que implica não reconhecer a autoridade de alguém que não responde à defesa da soberania nacional”, afirmou Cepeda.
Nesse caso, ele chamou seus eleitores e apoiadores a desconhecerem pacificamente “qualquer ordem de alguém que não corresponde à condição de guardião de nossa constituição política”.
“Quando a lei, as instituições ou a autoridade entram em conflito com a consciência moral, o cidadão não só tem o direito, senão o dever, de resistir pacificamente, negando-se a colaborara com a injustiça, o opróbio e a opressão. É o que faremos, que não haja dúvida, se Espriella tomar o caminho de violar nossa dignidade nacional”, afiançou.
Cepeda também cobrou de Espriella que esclareça se “foi ou é colaborador ou membro do DEA, da CIA ou de outro órgão de segurança norte-americano”, como dão a entender indícios e relatos provenientes dos EUA.
NÃO À PERSEGUIÇÃO AO PRESIDENTE PETRO
A declaração de Cepeda também exige que as autoridades judiciais norte-americanas confirmem ou neguem que dois procuradores do distrito de Brooklyn estejam investigando atualmente ao presidente Petro.
De Espriella, que respeite a segurança nacional colombiana e a soberania judicial, com o fim de toda e qualquer perseguição política ao presidente cessante Gustavo Petro e completa suspensão de qualquer tentativa de extraditá-lo [para os EUA].
Como Espriella vem ameaçando e antes, o próprio Trump, quando Petro se manifestou contra a intervenção dos EUA na Venezuela e contra as execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico
No comunicado à nação, Cepeda também citou a carta de um grupo de congressistas democratas norte-americanos em que estes manifestam sua “profunda preocupação com a flagrante interferência de altos funcionários dos EUA, incluindo o presidente Trump, nas eleições presidenciais colombianas” e sobre o histórico “extremamente preocupante” de Espriella.
“Em vez de fazer campanha para ele, nosso governo deveria estar investigando seus laços com uma organização terrorista designada e com um indivíduo acusado de lavagem de dinheiro, bem como possíveis irregularidades financeiras relacionadas a empresas sediadas na Flórida e transações imobiliária”, continuam os congressistas norte-americanos citados por Cepeda, na carta endereçada ao Secretário de Estado Marco Rubio, ao Secretário do Tesouro Scott Bessent e ao Procurador-geral interino, Todd Blanche.
Carta que também se referia aos “relacionamentos próximos” de Espriella com líderes das ‘Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC)’, organização paramilitar e de narcotráfico. Cita ainda o narcotraficante “Boliche”, como era conhecido nos círculos dos cartéis de drogas Jorge Luis Hernández Villazon, também informante das agências norte-americanas. Um dos cúmplices de “Boliche” é o sócio de Espriella, Daniel Peñarredonda Gómez.
Cepeda denunciou, ainda, que Espriella, sem consultar o Congresso colombiano, ou as autoridades diplomáticas do país, anunciou sua intenção de “anexar” a Colômbia ao “Escudo das Américas”, mecanismo ambíguo que “implica no alinhamento militar sob ordens dos EUA e seus objetivos geoestratégicos, que não obrigatoriamente são os de nosso país”.
Na íntegra, a declaração de Iván Cepeda no link:
https://twitter.com/IvanCepedaCast/status/2071967249015972131/photo/1











