Entreguismo, corrupção, fascismo e racha na direita derrubam Flávio nas pesquisas

Situação dificil essa! (Foto: Mateus Bonomi - Agif - Via AFP)

Nova rodada de levantamentos indica perda de fôlego do senador na corrida ao Planalto e amplia vantagem de Lula

A mais recente rodada de pesquisas eleitorais trouxe sinal de alerta para a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Depois de meses em trajetória ascendente e de chegar a aparecer em situação de empate técnico com o presidente Lula (PT) em alguns cenários, os novos levantamentos apontam queda do parlamentar tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Os números da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta semana, mostram Lula à frente em todos os principais cenários. Em eventual segundo turno, o presidente aparece com 48,8% das intenções de voto, contra 42,3% de Flávio Bolsonaro.

Em abril, segundo pesquisa, ambos estavam tecnicamente empatados, dentro da margem de erro. No primeiro turno, Lula também ampliou vantagem sobre o senador do PL.

Embora pesquisas retratem apenas o momento em que são realizadas e não constituam previsão do resultado eleitoral, a mudança de tendência passou a ser vista por analistas como um dos primeiros sinais de desidratação da candidatura que havia sido escolhida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como principal aposta do campo conservador.

OPOSIÇÃO ATORDOADA

A redução do desempenho de Flávio Bolsonaro ocorre em contexto mais amplo do que a tradicional polarização entre governo e oposição.

Analistas observam que a candidatura enfrenta dificuldades para ampliar o eleitorado para além do núcleo mais fiel do bolsonarismo.

A perda de apoio entre segmentos moderados e independentes, decisivos em disputas nacionais, tem sido apontada como um dos fatores que explicam a mudança de cenário nas pesquisas recentes.

Ao mesmo tempo, o presidente Lula mantém desempenho relativamente estável, preservando vantagem principalmente entre eleitores de menor renda, no Nordeste e em parcelas expressivas do eleitorado feminino, segmentos que continuam a desempenhar papel central na configuração da disputa em curso.

DIVISÕES INTERNAS

Além dos desafios eleitorais, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro passou a conviver com sinais de desgaste dentro do próprio campo bolsonarista.

Nas últimas semanas, divergências públicas envolvendo integrantes da família Bolsonaro, especialmente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ganharam repercussão e alimentaram questionamentos sobre o grau de unidade da direita para a sucessão presidencial.

Embora lideranças do PL tenham buscado minimizar os atritos, cientistas políticos observam que conflitos internos tendem a dificultar a construção de candidatura competitiva, sobretudo quando envolvem figuras de grande influência no eleitorado chamado ou tido como conservador e evangélico.

TRANSFERÊNCIA DE LIDERANÇA
 

Desde que Jair Bolsonaro ficou impedido de disputar a Presidência, Flávio Bolsonaro passou a ser apresentado como o principal herdeiro político do ex-presidente.

Entretanto, pesquisas recentes sugerem que a transferência de capital eleitoral encontra limites. O desempenho do senador permanece fortemente associado ao eleitorado tradicional do bolsonarismo, mas enfrenta maior dificuldade para conquistar segmentos menos extremados.

Especialistas lembram que eleições nacionais costumam ser definidas justamente pela capacidade dos candidatos de ultrapassar as bases mais fiéis e dialogar com eleitores de centro e indecisos.

EM CONSTRUÇÃO

 Apesar da queda registrada pelos levantamentos mais recentes, analistas ponderam que o cenário permanece aberto.

A campanha presidencial ainda está em fase inicial, alianças partidárias seguem em negociação e fatores econômicos, políticos e institucionais podem alterar significativamente o comportamento do eleitorado nos próximos meses.

Além disso, pesquisas eleitorais refletem tendências de curto prazo e estão sujeitas às margens de erro e às mudanças próprias de processo eleitoral dinâmico.

DESGASTES E CONTROVÉRSIAS


Além da dificuldade para ampliar a base eleitoral, Flávio Bolsonaro chega à disputa presidencial sob o peso de sucessivas controvérsias. A mais recente envolve o pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar filme sobre o pai dele. Vorcaro que ele jurou nunca tinha visto na vida.

O senador admitiu ter buscado o dinheiro de R$ 134 milhões (R$ 61 liberados), mas negou qualquer irregularidade ou promessa de contrapartida. A não ser que o dinheiro tem origem no roubo de Vorcaro aos cofres públicos: BRB, Rioprevidência, servidores de São Paulo, etc. É irregularidade sim, e Flávio sabia muito bem disso.

A revelação provocou forte repercussão política e novos pedidos de investigação.

Também gerou críticas a atuação do senador no governo de Donald Trump pressionando por tarifas contra produtos brasileiros. Depois, pela repercussão negativa entre os brasileiros, Flávio pediu o adiamento das medidas para depois das eleições, alegando preocupação com os impactos econômicos. Adversários classificaram a iniciativa como tentativa de estimular pressão externa sobre o Brasil, enquanto o senador alegou falsamente que buscava preservar os interesses nacionais.

Somam-se a esses episódios os conflitos públicos dentro da família Bolsonaro e o desgaste decorrente das investigações sobre o caso das “rachadinhas”, além das críticas recorrentes por antigos vínculos políticos com personagens associados às milícias do Rio de Janeiro.

Flávio nega qualquer relação com organizações criminosas e afirma ser alvo de perseguição política. Ainda assim, o conjunto dessas controvérsias continua a alimentar o debate público e pode dificultar a conquista do eleitorado moderado, considerado decisivo na disputa presidencial.

MARCOS VERLAINE

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