Sánchez denuncia “fraude nos votos peruanos no exterior”

Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, linha de frente contra o fascismo fujimorista (AFP)

Candidato das forças progressistas apresentou recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos denunciando as inúmeras irregularidades do processo eleitoral para beneficiar a filha do ditador

O candidato das forças progressistas à presidência do Peru, Roberto Sánchez, afirmou que não reconhece o resultado das eleições de 7 de junho e apresentou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) um recurso questionando a “vitória” da fascista Keiko Fujimori.

Pela apuração do Escritório Nacional dos Processos Judiciais – encerrada oficialmente em 29 de junho -, a filha do ditador Alberto Fujimori obteve 50,135% dos votos contra 49,865% de  Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, uma diferença de 0,27% ou apenas 49.641 votos.

Na medida cautelar, o Juntos pelo Peru sustenta que o pretenso êxito da candidata da extrema direita ocorreu devido à “fraude nos votos do exterior”, onde aparece muito à frente, com 63,20% do eleitorado, bem distante dos 36,79% obtidos por Sánchez.

O fato, argumenta Roberto Sánchez, é que se apenas os peruanos residentes no país tivessem votado, ele teria sido vencedor, pois o ex-ministro do governo de Pedro Castillo obteve 50,08%, contra 49,91% de Fujimori – uma vantagem de 32.014 votos.

O representante legal do Juntos pelo Peru, Pablo Salas, protocolou uma denúncia constitucional contra o Ministro das Relações Exteriores, Carlos Pareja, em que aponta os crimes de fraude eleitoral, interrupção ou obstrução do processo eleitoral e negligência no cumprimento de deveres oficiais.

A petição solicita a abertura de um processo de impeachment, alegando que ele “desmantelou de forma arbitrária e injustificada os sistemas de logística, Tecnologia da Informação e custódia diplomática das cédulas de cidadãos peruanos no exterior durante as Eleições Gerais de 2026, violando assim os princípios da neutralidade do Estado, da legalidade e da inviolabilidade das normas”.

O Juntos pelo Peru também baseia seu pedido de impeachment na “suposta prática de crimes contra o direito ao voto, especificamente fraude eleitoral e interrupção do processo eleitoral”.

Como parte da argumentação, o partido denuncia que as atas de apuração dos votos não foram digitalizadas durante a disputa eleitoral. “A mudança das regras durante o segundo turno, a pedido do Ministério das Relações Exteriores, comprometeu seriamente o processo eleitoral. Quebraram a cadeia de custódia. Queremos simplesmente que nos mostrem o que aconteceu”, defendeu o Juntos pelo Peru.

Movimentos sociais, sindicatos e partidos convocaram marchas e protestos em todo o país a partir deste sábado (4) exigindo uma nova apuração dos votos do exterior e condenando o resultado.

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