“Prejuízo à investigação”, apontou Andrei Rodrigues, que teve que antecipar a ação da Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3/7), a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A ação teve como alvos investigados sancionados pelos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, informou que a operação foi antecipada por conta da sanção dos EUA, que, segundo ele, gerou “prejuízo à investigação”.
Ao todo, mais de 50 policiais federais cumpriram 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
Segundo a PF, o grupo utilizava um sistema estruturado para movimentar recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro — inclusive em espécie —, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.
A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.
Entre os presos da operação está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, de 34 anos. De acordo com o governo dos EUA, ela é parente de Victor Henrique de Oliveira Shimada e atuaria como sua “secretária” e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro.
Já Shimada, proprietário de empresas sancionadas pelos EUA, não foi localizado nos endereços atribuídos a ele e, por isso, é considerado foragido da Justiça.
O governo de Donald Trump, que se apresenta ao mundo como timoneiro no combate ao crime organizado, na prática, com as sanções promovidas, comprometeu a investigação e a tentativa de localizar Shimada, o principal alvo da ação.
Por isso, Rodrigues denunciou que a ação norte-americana gerou prejuízos à investigação, o que levou a uma mudança no cronograma da operação.
“Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação”, declarou.
De acordo com o diretor-geral, a representação policial e a decisão judicial que fundamentaram a Operação Exchange são anteriores ao decreto do governo dos EUA que classificou duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
“Já estavam em curso. Tem uma investigação nos Estados Unidos que também já estava em andamento, assim como essa nossa da PF. Em razão da publicação, tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje”, afirmou.
Segundo o diretor de investigação e combate ao crime organizado, Dennis Cali, a PF ainda realizava diligências operacionais para confirmar informações e localizar o alvo quando a sanção foi divulgada.
Shimada não foi localizado durante a ação desta sexta-feira e é considerado foragido da Justiça. Outras seis pessoas foram presas na operação, entre elas Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada pelos Estados Unidos.
Segundo Andrei, Victor Henrique de Oliveira Shimada já havia sido preso preventivamente pela PF em uma operação iniciada em 2024 e foi condenado em 2025 em decorrência dessa investigação.
O diretor ressaltou que o caso não tem relação com a posterior classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
“Este cidadão citado já foi preso pela PF preventivamente em uma operação iniciada em 2024, e foi condenado em 2025 fruto dessa operação. Esse caso concreto não guarda relação com qualquer atribuição que fizeram ao sujeito de facção. Inclusive, a representação que fizemos na Justiça Federal foi protocolada antes sequer de ser atribuída essa classificação às facções. Então não tem relação nenhuma com a sanção, o que há é o processo.”
Ainda conforme o diretor-geral, Shimada atuava como operador financeiro e movimentava recursos nos Estados Unidos.









