“A decisão de vetar o jornalismo público da EBC reduz as fontes de informação dos brasileiros e abre caminho para uma maior proliferação da desinformação e fake news”, advertem mas entidades
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e sindicatos de jornalistas do Distrito Federal, de São Paulo e do Rio de Janeiro afirmaram, em nota, que a decisão de remover todos os conteúdos de política publicados pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) desde 2023 “não tem precedentes em outras eleições” e afeta o direito da população de acessar informações confiáveis.
A remoção do conteúdo decorre das regras do defeso eleitoral imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no período das eleições. Foram removidos cerca de 146 mil materiais sobre política e o governo federal de todas as redes sociais e sites da EBC desde o dia 1º de janeiro de 2023.
A nota conjunta da Fenaj e dos sindicatos de jornalistas do Distrito Federal, do Estado de São Paulo e da cidade do Rio de Janeiro denuncia que “a decisão de vetar o jornalismo público da EBC reduz as fontes de informação dos brasileiros e abre caminho para uma maior proliferação da desinformação e fake news que correm livremente pelas plataformas digitais”.
As entidades apontam que a eleição poderá ser mais afetada pela “onda de desinformação impulsionada pelas corporações digitais dos Estados Unidos, que cada vez mais capturam o debate público e desestabilizam a democracia nos países onde atuam”.
Dizem ainda que “esta lamentável decisão afeta diretamente o direito à informação da população brasileira, ao censurar o jornalismo público realizado pelas emissoras da EBC nos últimos três anos e meio”.
Todo o conteúdo da Agência Brasil, da TV Brasil e da Radioagência Nacional será impactado. Outros sites de órgãos públicos, como da Polícia Federal também foram esvaziados.
“A decisão não tem precedentes em outras eleições e mostra um ataque direto à autonomia em relação ao governo determinada pela legislação que criou a EBC”, completaram.
A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, disse que o Tribunal Superior Eleitoral “é muito rigoroso e restritivo” e que a empresa “seguirá as normas”.
As entidades de jornalistas consideram que a ordem do Tribunal configura uma “grave violação da Justiça”. Elas citam ainda que as reportagens feitas durante o governo de Jair Bolsonaro continuarão online, mesmo que seu filho, Flávio Bolsonaro, concorra à Presidência.











