Arremetendo contra os direitos dos trabalhadores, o governo da Alemanha anunciou um pacote de 34 medidas que inclui o aumento gradual da idade de aposentadoria, o endurecimento das regras para afastamentos por doença e a ampliação dos contratos temporários, detalhou a agência Reuters.
Ao apresentar o programa, nesta quinta-feira (2), o chanceler Friedrich Merz afirmou que para “estimular a economia” o governo busca reduzir burocracias, aumentar a competitividade das empresas e cortar impostos, sem entrar em detalhes sobre a quebra de direitos.
Entre as medidas, a mais notável é o aumento da idade de aposentadoria – para 70 anos – hoje entre 65 e 67 – e a criação de uma previdência obrigatória, complementar à previdência pública, para a qual trabalhadores e empresas contribuirão gradualmente com até 2% de suas entradas.
Para justificar a regressão, o governo afirma que a medida busca preservar a sustentabilidade do sistema previdenciário.
Merz reconheceu que esta reforma acarretará encargos adicionais, uma vez que, no modelo proposto, o investimento obrigatório no mercado de capitais para complementar a pensão pública implicará hoje em um aumento gradual da taxa de contribuição, com aumentos anuais de 0,5% até atingir 2% em 2031, que serão assumidos em partes iguais pelo empregador e pelo empregado.
“ATAQUE AOS DIREITOS DOS TRABALHADORES”
Com as novas regras, os empregadores poderão exigir um atestado já no primeiro dia de afastamento por doença, que só poderá ser obtido presencialmente em um consultório médico, acabando com a possibilidade de obtenção de atestados médicos por telefone.
O pacote também flexibiliza contratos temporários e regras para empresas. Na prática, o governo quer permitir que companhias usem por mais tempo contratos com prazo determinado, sem a obrigação de transformar esses vínculos em empregos permanentes. E permite maior funcionamento do comércio aos domingos.
Segundo a emissora Deutsche Welle (DW), a Central Verdi, grande sindicato do setor de serviços, afirmou que a exigência de atestado médico desde o primeiro dia expressa uma “cultura de desconfiança” contra os trabalhadores. A IG Metall, maior sindicato da Alemanha, classificou as medidas como uma “sombra” sobre a situação atual e chamou a ampliação de contratos temporários de “ataque aos direitos dos trabalhadores”.
O pacote ainda precisa ser aprovado no Bundestag (Parlamento), onde o governo tem maioria, e na câmara legislativa onde estão representados os Estados alemães, o Bundesrat.
PRODUÇÃO INDUSTRIAL DO PAÍS DESPENCOU
Nos últimos anos, a Alemanha tem enfrentado uma prolongada crise econômica, após a decisão de Berlim de interromper a importação de energia russa de baixo custo, considerada fundamental para a indústria do país.
Depois da interrupção do fornecimento de gás por gasodutos russos e da sabotagem dos gasodutos Nord Stream, os preços do gás na Europa e particularmente na Alemanha registraram forte alta.
Como resultado, no ano passado, a produção industrial de Berlim despencou, atingindo seu nível mais baixo desde o início de 2022, com queda de 5,1% em relação a 2024.
A indústria automotiva registrou um número excepcionalmente alto de fechamentos de fábricas, resultando em uma queda drástica na produção. A Mercedes-Benz informou que seu lucro líquido em 2025 foi reduzido pela metade em comparação 2024.
Segundo um estudo do Instituto Econômico Ifo, 26% das empresas alemãs consideram que sua situação deve piorar em 2026. O número médio de desempregados registrados em 2025 foi de 2,9 milhões, 161 mil a mais do que em 2024, de acordo com dados da Agência Federal de Emprego, citados pelo jornal Tagesschau. Este é o maior número desde 2013.











