EUA podem estar planejando ações militares no Brasil, denuncia Itamaraty

Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Foto: Vinicius Loures - CD

Bajulação de Flávio e seu irmão facilitaram a vida de Trump. Eles apoiaram a intromissão indevida dos EUA nos assuntos internos do Brasil. O bufão da Casa Branca usou pretexto de combater narcotráfico para invadir a Venezuela e roubar seu petróleo

Os traidores Flávio Bolsonaro e seu irmão, Eduardo, facilitaram a vida de Donald Trump e apoiaram a decisão unilateral do governo americano de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. O mundo inteiro sabe que Trump usou esse mesmo pretexto para invadir a Venezuela, sequestrar seu presidente e roubar seu petróleo. Agora, o Itamaraty está denunciando as ameaças de ação militar dos EUA no Brasil.

Em resposta a questionamentos feitos pela Câmara dos Deputados o documento do Itamaraty, assinado pelo ministro Mauro Vieira, destacou os impactos diplomáticos, econômicos e reputacionais para o país. O documento aponta que a classificação “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”.

Segundo a resposta do governo, a classificação das facções como “organizações criminosas transnacionais” por Washington não permitirá a cooperação na troca de informações e outras ações de combate ao crime. O Itamaraty também alerta para o risco de implicações para cidadãos brasileiros e para a possibilidade de ações militares dos EUA no Brasil.

“Tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal. Finalmente, há a possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, destaca o ofício.

Lincoln Gakiya, Promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), amplamente conhecido por ser o principal investigador do PCC, avalia que a designação das facções como organizações terroristas internacionais atrapalha o combate aos criminosos. Ao passar o assunto para a órbita da segurança nacional americana, ele sai da esfera policial e vai para o exército americano e a CIA. Ou seja, tudo passa a ser secreto e não há mais colaboração entre as polícias.

O promotor, assim como o Itamaraty, também alerta para possíveis intervenções militares americanas no país. No ofício do Itamaraty o órgão chamou a atenção para o risco de ação militar dos EUA no Brasil.

A Polícia Federal e o Ministério da Justiça do Brasil apontaram que a sanção a brasileiros, anunciada na última quarta-feira (1), pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos atrapalhou as investigações que vinham sendo feitas contra os suspeitos. Segundo os órgãos, os criminosos já estavam sob a mira da PF.

As sanções atingiram Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda (Victory Trading); Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave) — as duas de serviços financeiros —; e a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Pixwave), do setor de construção. A PF acabou tendo que antecipar a prisão dessas pessoas em função do anúncio feito pelo governo norte-americano. Uma das consequências do anúncio foi a fuga do principal líder da organização criminosa, Victor Shimada.

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