Otan se reúne para manter a guerra contra a Rússia apoiada no regime neonazi de Kiev

Após reunião da Otan, Trump blasfema Espanha e ameaça Groenlândia e diz que encontro foi "tremendo sucesso" (AFP)

Seu memorando propõe elevação de gastos com armas às custas do bem-estar social

Dedicada essencialmente a bajular o ditador americano Donald Trump, concluiu-se na quarta-feira (8) a cúpula de dois dias da Otan, o braço armado do mundo unipolar, dedicada a manter a guerra contra a Rússia através do regime neonazi na Ucrânia, a aumentar drasticamente os gastos com armas às custas do bem-estar social para engordar os lucros do complexo-industrial-militar-digital e que, em sua declaração final, aplaudiu o bombardeio americano contra o Irã que rompeu o memorando de cessar-fogo recém assinado.

“TREMENDO SUCESSO”, AVALIOU TRUMP

Ao final, Trump descreveu a cúpula como “tremendamente bem-sucedida”. “Foi incrível, na verdade”, disse ele aos repórteres. “A união naquela sala foi incrível, realmente um amor, foi meio selvagem.”

Anteriormente, Trump ameaçou a Espanha com um embargo comercial por resistir à imposição de 5% do PIB com gastos militares. Também reclamara dos países europeus por não terem embarcado de mala e cuia na sua guerra de agressão, junto com Netanyahu, contra o Irã.

Mas, em seu socorro, o secretário-geral Mark Rutte explicou que a maioria deles por baixo dos panos deixou os aviões americanos decolarem para barbarizar o Irã, mas evitando a publicidade. Ele apontou que 5.000 aeronaves americanas haviam decolado de bases europeias no auge do conflito, ilustrando que “a Europa novamente é uma grande plataforma de projeção de poder para os Estados Unidos”. As recusas, enfatizou, haviam sido “pontuais”.

BIZARRA

Uma cúpula classificada como “bizarra” pelo conselheiro sênior da ONU e professor da Universidade de Columbia, Jeffrey Sachs, onde não faltaram os insultos de Trump ao Irã – “escória” -, a reincidência na ameaça de anexar a Groenlândia, que é parte da Dinamarca, membro da Otan, a gaffe de Trump sobre a “República Islâmica do Japão” e, ao final, uma pistola magnum com nome gravado, para cada autoridade, um mimo proporcionado pelo anfitrião, o presidente Erdogan.

O que levou um assessor de Putin a ironizar que, no lugar, deveriam ter sido presenteados com uma Parabellum, pistola de escolha dos oficiais nazistas na II Guerra.

Como reza lenda, a Otan foi criada para colocar os EUA dentro (da Europa); os russos, fora; e os alemães, por baixo. Ultimamente, diante das idas e vindas de Trump sobre a Ucrânia – aquela ideia do ‘Kissinger inverso’, separar a Rússia da China para facilitar o acerto de contas com a China -, os europeus colocaram na ordem do dia o rearmamento, para a guerra com a Rússia, que prevêem “até 2030”.

DRANG NACH OSTEN

Inclusive Merz anunciou a intenção de tornar a Alemanha a maior força militar do velho continente, trazendo de volta pesadelos antigos, e o “drang nach osten” – a marcha para leste – voltou ao léxico alemão, o que não passou despercebido por Moscou. O gasto militar subiu 25,5% em um ano, de € 99,3 bilhões em 2025 para €124,7 bilhões.

Nos seus discursos, os chefes de governo dos países da Otan procuraram demonstrar a Trump seu empenho em alcançar o piso de 5% do PIB para a guerra, o que vem sendo a exigência do atual inquilino da Casa Branca, que exige que a maior parte disso vá para os cofres do cartel bélico ianque.

No Fórum de Defesa da Indústria de terça-feira, aliados europeus anunciaram acordos de 50 bilhões de dólares (€43 bilhões) para produção e aquisição de defesa, abrangendo submarinos, sistemas de defesa antimísseis Patriot, interceptadores, munição, tudo apresentado como prova de que a aliança está em um caminho crível para gastar 5% de seu PIB em “defesa” até 2035.

Além disso, a Drone Hedge da Otan compromete US$ 40 bilhões (€35 bilhões) em capacidades de combate a drones nos próximos cinco anos para cobrir toda a aliança. Também foca na contratação e treinamento de pilotos, sendo totalmente interoperável entre todos os estados aliados.

LICENCIAMENTO DO PATRIOT PARA KIEV

Durante a cúpula, Trump anunciou que os EUA poderiam “licenciar” aos ucranianos a tecnologia para a produção dos mísseis Patriot e também sugeriu que como “garantia” poderia ser decretado o “fechamento do espaço aéreo ucraniano”.

Nos últimos dias, declarações desde Moscou sobre o ocaso do “Espírito de Anchorage” – a participação de Trump nos esforços de paz da Rússia com a Ucrânia, a partir de uma ideia apresentada pelos próprios americanos – sugerem seu definhamento, e que, diante das atuais circunstâncias, a tendência é que se resolva no campo de batalha. Embora o lado russo esteja pronto para negociações que levem em conta as causas profundas – isto é, a revogação do estatuto de neutralidade, a expansão da Otan a leste, a perseguição aos falantes de russo e a nazificação de Kiev pós-golpe de 2014.

A própria imprensa americana tem exposto como a CIA tem participado dos ataques profundos com drones contra a Rússia e se gabando do sucesso da sabotagem às refinarias. Às vésperas da cúpula da Otan, também se intensificou a guerra de desinformação, tentando apresentar a Ucrânia como voltando a vencer e que a Rússia estaria sofrendo um número insustentável de baixas e sob crise econômica. Contrariando tais previsões, há quatro dias a Rússia anunciou a libertação de Konstantinovka, que abre o caminho para a libertação do reduto final do regime de Kiev no Donbass, o cinturão de fortalezas centrado em Slaviansk e Kramatorsk.

ESPÍRITO DE ANCHORAGE?

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou que “não acreditaremos mais no Ocidente quando este disser que deseja soluções negociadas. Essa reserva de boa vontade e esperança se esgotou completamente”.

“Soluções negociadas foram alcançadas, sob garantias ocidentais, em 2014, 2015 e 2019. Em todos esses casos, o Ocidente destruiu as garantias. Elas se revelaram falsas”, acrescentou. Ele também lembrou que, após o início do conflito em 2022, existia uma solução negociada entre a Rússia e a Ucrânia, mas esta foi “publicamente minada” pelo próprio Ocidente.

Sobre a sugestão do “fechamento do espaço aéreo ucraniano”, o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, comentou que implicaria na intervenção direta da OTAN na Ucrânia, “exatamente o que levou à operação militar especial”.

Quanto à viabilidade da proposta, analistas lembraram que, nos recentes embates no Golfo Pérsico, os EUA não conseguiram fechar o espaço aéreo e impedir que suas bases no Kuwait, no Bahrein e em outros países da região fossem pulverizadas pelos mísseis e drones iranianos.

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