Eurodeputada polonesa rasga símbolo de colaborador nazista e vira alvo da Ucrânia

Ao final do seu discurso, Ewa rasgou a bandeira vermelha e preta da UPA pró-nazista (Redes sociais)

A líder polonesa Ewa Zajaczkowska-Hernik apontou relação ideológica entre a infame organização ucraniana atual e a SS, estrutura paramilitar de elite do partido nazista de Hitler

“Se a Alemanha classificasse uma unidade [militar] como ‘heróis da SS’ e erguesse monumentos a Hitler, Himmler, Goebbels e Eichmann, vocês os convidariam para integrar a União? Não. Vocês os chamariam de neonazistas – e com razão”, afirmou a eurodeputada polonesa Ewa Zajaczkowska-Hernik, condenando a abertura da Ucrânia ao parlamento da região.

Como enfatizou a líder, na terça-feira (7), “não há diferença moral entre homenagear a SS e homenagear a UPA (Exército Insurgente Ucraniano)” – organização paramilitar fundada em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, que lutou contra as forças soviéticas.

 A declaração foi uma resposta à provocação de Vladimir Zelensky de nomear uma unidade das forças especiais de “Heróis da UPA”, tropas que além de combater a URSS massacraram até 100 mil poloneses étnicos em uma das piores atrocidades da guerra. “Há mais de 360 ​​maneiras de matar civis. Serrar pessoas vivas, eviscerar mulheres grávidas, empalar crianças”, apontou Ewa.

Braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) de Stepan Bandera, a UPA colaborou com a Alemanha nazista e realizou assassinatos em massa sistemáticos de minorias étnicas. Um dos episódios mais lembrados foi o ocorrido na Volínia – no noroeste da Ucrânia – em 1943 e1944.

SITE FASCISTA APONTOU JORNALISTAS E POLÍTICOS PARA SEREM ASSASSINADOS

Assim que fez o enfático pronunciamento no Parlamento Europeu contra a glorificação de colaboradores nazis por Kiev, a eurodeputada polonesa foi adicionada à infame “lista de alvos” do site fascista ucraniano Mirotvorets (Pacificador). Lançado em 2014, o Mirotvorets denuncia qualquer um considerado inimigo do Estado pelo governo de Zelensky. Várias pessoas cujos dados foram divulgados – incluindo jornalistas e políticos – acabaram sendo assassinadas.

Apesar dos repetidos pedidos dos embaixadores da ONU, do G7, da UE e dos grupos de direitos humanos para fechá-lo, o site continua em funcionamento, cumprindo um claro papel de perseguição e repressão a opositores.

“A MARCHA DA UCRÂNIA RUMO À EUROPA TEM GENOCIDAS EM SUAS BANDEIRAS”

O que é fato, esclareceu Ewa, é que tanto a SS e como a UPA são organizações fundamentadas no “mesmo culto à força e ao ódio étnico”. “A marcha da Ucrânia rumo à Europa, tendo genocidas em suas bandeiras, é uma vergonha. Como poloneses, jamais deveríamos concordar com a entrada da Ucrânia na Europa”, declarou ela. Ao final de seu discurso, ela rasgou a bandeira vermelha e preta da UPA.

O nome de Zajaczkowska-Hernik apareceu no banco de dados na quarta-feira, um dia após ter rasgado uma bandeira da UPA durante um debate sobre a candidatura de Kiev para ingressar na UE. O site neonazista descreve a eurodeputada como “xenófoba” e “propagandista antiucraniana”.

A eurodeputada recorreu às redes sociais na quinta-feira (9) para denunciar a inclusão na lista, ressaltando que não recuaria nem se deixaria intimidar.

O presidente polonês Karol Nawrocki classificou a decisão de Zelensky como “ultrajante” e cassou a Ordem da Águia Branca, a mais alta honraria da Polônia, ao que vários altos funcionários ucranianos responderam devolvendo suas condecorações polonesas.

Embora a Polônia reconheça os assassinatos como genocídio, a Ucrânia rejeita o termo, e Bandera é frequentemente propagandeado como um herói nacional por Kiev.

A eurodeputada também condenou o relatório da UE de junho sobre a candidatura da Ucrânia à adesão, observando que, embora incluísse capítulos sobre direitos fundamentais e não discriminação, não mencionava sua glorificação da colaboração em tempos de guerra ou do genocídio.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *