Os problemas da Sabesp privatizada já se consolidaram como uma rotina para a população paulista. Acidentes em obras, alguns deles fatais, rompimentos de tubulações, explosões, vazamentos de gás e afundamentos de solo deixaram de ser fatos esporádicos e passaram a integrar o cotidiano dos paulistas, impondo riscos e transtornos à população.
O caso mais recente ocorreu na segunda-feira (13), no bairro Rochdale, em Osasco, na Grande SP, durante a implantação de uma rede de esgoto executada por uma empresa terceirizada da Sabesp. Durante a escavação de um poço de serviço, o solo cedeu, abrindo uma grande cratera na Rua Cuiabá e provocando rachaduras e danos estruturais em três imóveis. Por determinação da Defesa Civil, as residências foram interditadas e nove moradores – entre eles duas crianças – tiveram de deixar suas casas. Apesar da gravidade do acidente, não houve vítimas.
Para o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), o episódio confirma um processo de deterioração das condições de trabalho e da segurança após a privatização da empresa. “O Sintaema manifesta solidariedade às famílias atingidas e aos trabalhadores que atuam diariamente nas obras e unidades da Sabesp sob intensa pressão, com equipes reduzidas e condições de trabalho cada vez mais precárias e inseguras”, afirmou a entidade.
O sindicato sustenta que o acidente não pode ser visto como um fato isolado. “A sucessão de ocorrências já deixou de ser exceção e expõe um cenário que o Sintaema denuncia desde a privatização da companhia: redução do quadro próprio, avanço da terceirização e aumento dos riscos nas operações.”
Na avaliação da entidade, a origem do problema está na política adotada pela empresa após a privatização. “Desde a privatização, a Sabesp promoveu um corte de quase 50% do seu quadro próprio de trabalhadores, ao mesmo tempo em que ampliou significativamente a terceirização de atividades essenciais.”
Ainda segundo o sindicato, “a substituição de trabalhadores experientes por contratos terceirizados inexperientes, somada à pressão por redução de custos e aumento da produtividade, compromete o planejamento das obras, a fiscalização, a transferência de conhecimento técnico e as condições de segurança”. Como consequência, afirma o Sintaema, multiplicam-se “acidentes, falhas operacionais, interrupções de serviços e riscos crescentes para trabalhadores e para a população”.
A entidade também cobra responsabilização pelo novo acidente. “O Sintaema seguirá cobrando a apuração rigorosa deste novo acidente, a responsabilização pelos danos causados, a garantia de assistência integral às famílias afetadas e, principalmente, uma mudança na política de gestão da companhia com os trabalhadores e trabalhadoras.” Para o sindicato, “a repetição desses episódios demonstra que a segurança não pode ser tratada como custo e que o saneamento não pode estar subordinado à lógica do lucro em detrimento da vida.”
O histórico recente reforça a preocupação. No início de julho, uma adutora rompeu durante obras em São Bernardo do Campo. Em junho, um vazamento de gás provocado por falhas operacionais colocou moradores e trabalhadores em risco na região central da capital. Poucos dias antes, uma explosão no Jaguaré, também relacionada a uma obra da Sabesp, matou duas pessoas, destruiu imóveis e expôs falhas nos protocolos de segurança.
Diante da nova ocorrência, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que iniciou a apuração das circunstâncias do acidente e enviará equipe técnica ao local. A agência declarou que, caso sejam constatadas irregularidades, inclusive eventual descumprimento dos protocolos de segurança estabelecidos pelo órgão, serão aplicadas as sanções cabíveis. A Arsesp também afirmou que acompanhará a assistência prestada pela concessionária às famílias atingidas até a conclusão das investigações.
Nesta terça-feira (14), a Sabesp informou que concluiu o fechamento da cratera, mas os três imóveis permanecem interditados pela Defesa Civil. A companhia afirmou que as famílias receberam um auxílio emergencial de R$ 2 mil, foram hospedadas em hotel custeado pela empresa e continuarão recebendo assistência enquanto são realizadas as avaliações técnicas. Segundo a concessionária, as causas do acidente ainda estão sendo investigadas e a empresa diz que fará o ressarcimento integral dos danos causados aos moradores.











