Comissário da ONU denuncia bloqueio dos EUA a Cuba: “Crianças estão morrendo”

Volker Türk alerta para prejuízo causado aos cubanos mais vulneráveis (ONU)

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou o aumento das sanções impostas pelos Estados Unidos (EUA) contra Cuba:  “Crianças estão morrendo porque os médicos não têm acesso a suprimentos essenciais e medicamentos. Isso é inaceitável”.

Türk denunciou ainda que as sanções de Trump estão causando danos generalizados à população e colocando vidas em risco, alertando que as “restrições de combustível” dos EUA – o bloqueio naval americano ao fornecimento de petróleo a Cuba – vêm causando falta de medicamentos e de alimentos e quedas de energia.

“As restrições de combustível impostas desde o início de 2026 e o recente endurecimento das sanções extraterritoriais, em conjunto, estão prejudicando diretamente os cubanos, especialmente os mais vulneráveis., afirmou Türk. 

“Essas sanções devem ser suspensas imediatamente”, exigiu.

Sob a declaração de “emergência” nacional pelos EUA em janeiro, os embarques de combustível para Cuba foram barrados por Washington, reduzindo drasticamente as reservas do país em meados de maio. Esse esgotamento levou a apagões diários que frequentemente ultrapassam 20 horas. Desde então, apenas um petroleiro russo entregou petróleo sequer suficiente para um mês.

Sanções adicionais foram impostas para aumentar a pressão sobre países e empresas que seguem comerciando com Cuba e para estrangular empresas cubanas das áreas de turismo, mineração e qualquer outra que traga divisas para a Ilha.

SERVIÇOS MÉDICOS ESSENCIAIS SÃO ATINGIDOS

Serviços médicos essenciais, como oncologia, diálise e saúde materna, estão sob forte pressão. Dados recentes de saúde pública mostram tendências alarmantes, incluindo a duplicação da mortalidade infantil para 9,9 por 1.000 nascimentos e uma queda nas taxas de sobrevivência ao câncer infantil de 85% para 65%, desde que as restrições de combustível foram impostas. Há uma escassez crítica de medicamentos essenciais, com os níveis de abastecimento caindo para cerca de 30%. A escassez de combustível está prejudicando a cadeia agroalimentar, levando a uma redução de 60% na produção de alimentos e a picos nos custos de itens alimentares básicos.

“Esses conjuntos de sanções severas que visam setores inteiros de uma economia e produzem efeitos amplos, indiscriminados e graves sobre as populações são incompatíveis com os princípios básicos do direito internacional dos direitos humanos”, afirmou o Alto Comissário.

“Cuba enfrenta um isolamento crescente. As empresas estão indo embora. Menos companhias aéreas voam para o país. Está quase desconectada dos sistemas de pagamentos internacionais. O aumento das temperaturas no verão pode ampliar a propagação de doenças transmitidas por vetores e pela água. A temporada de furacões aumenta ainda mais a exposição. Isso cria uma tempestade perfeita para a deterioração social e econômica e o sofrimento do povo cubano”, afirmou o diplomata.

“ESTAMOS ENFRENTANDO UM PLANO GENOCIDA”

Condenando o mais recente ataque do governo Trump, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou: “Mais uma semana, mais uma lista de ‘sanções’ contra Cuba. Esta é a guerra dos Estados Unidos e seu desejo de estrangular nossa economia. Eles estão intensificando sua agressão numa tentativa de infligir ainda mais danos ao nosso povo. Estamos enfrentando um plano genocida, denunciado na ONU há menos de uma semana”.

Os impactos combinados dessas medidas coercitivas e restrições operacionais também estão dificultando o trabalho das agências humanitárias, incluindo as do sistema das Nações Unidas, na prestação de ajuda e assistência essenciais. Recentemente, a suspensão de serviços por grandes empresas de transporte marítimo devido à aversão ao risco afetou mais de 2.900 toneladas métricas de carga humanitária de alimentos.

Já o Ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy, explicou que a república caribenha está atualmente no caminho para alcançar a soberania energética com base em seus próprios recursos. “Falta-nos combustível e apoio externo, mas estamos implementando um plano de transição para a soberania energética”, enfatizou o ministro, conforme citado pelo Partido Comunista Cubano em mensagem nas redes sociais em 15 de julho. “Este é um caminho longo e difícil que exige grandes sacrifícios. Não estou dizendo que [a situação da eletricidade] será sempre assim”, ressaltou de la O Levy. “A geração de eletricidade a partir de fontes renováveis ​​continua a crescer e, graças a esse processo, os resultados já estão sendo sentidos em várias províncias [do país].”

Cuba restabeleceu totalmente sua rede elétrica nesta quarta-feira (15), após o terceiro apagão total em menos de 10 dias na ilha, que vem sendo afetada pela escassez de combustível devido ao embargo de petróleo dos EUA, informou a empresa estatal cubana de eletricidade (UNE).

Este foi o quinto apagão nacional desde o início do ano e o décimo desde o final de 2024.

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