“Ao contrário dos que sabotam o Brasil lá fora, o governo trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro”, afirmou o vice-presidente da República
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou a alegação usada pelos Estados Unidos para justificar as novas tarifas como “injusta e descabida” ao anunciar, em coletiva de imprensa na quinta-feira (18), que o governo Lula deve adotar medidas de apoio aos setores afetados pela sobretaxa de 25% aos produtos brasileiros que entram nos EUA.
“Ao contrário dos que sabotam o Brasil lá fora, o governo trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro. O governo terá um programa de apoio aos setores afetados”, declarou Alckmin, após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmar um novo “tarifaço” com uma extensa lista de itens isentos, que deve entrar em vigor na próxima quarta-feira (22).
Na avaliação de Alckmin, a sobretaxa de 25% “é injusta porque, se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos, os Estados Unidos tiveram superávit na balança comercial”, lembrou.
“Os argumentos partem de uma base totalmente falsa, não têm justificativa. Os argumentos levantados na Seção 301 partem de bases falsas sobre Pix e desmatamento. Mesmo com o Pix, o cartão de crédito cresceu no Brasil”. Além do Pix, o governo de Donald Trump cita a comercialização de produtos na Rua 25 de Março e alega restrições a redes sociais americanas, entre outros pontos, como justificativas para o novo tarifaço.
“O Brasil está sempre aberto ao diálogo”, disse o vice-presidente, ao declarar que o governo, “no momento adequado”, deve acionar a Lei da Reciprocidade Econômica como resposta ao tarifaço dos Estados Unidos.
“Existe uma lei defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira, que é a reciprocidade, e que foi aprovada por unanimidade no Congresso. É um instrumento jurídico, legal e importante, e o governo analisará o momento e a forma de o fazer”.
Segundo Alckmin, ainda, o Executivo também vai atuar na diversificação do mercado de exportação para outros países.
“A Apex [Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos], o BNDES e o BID vão fazer um empenho redobrado para a gente abrir novos mercados e crescer ainda mais o comércio exterior. Mas destacando que o ano passado, mesmo com a taxação dos EUA, foi o recorde de exportação para o Brasil” – atingiu US$ 184,8 bilhões no primeiro semestre.










