Pentágono oculta baixas americanas na Guerra ao Irã

Soldados norte-americanos inspecionam base atingida por mísseis iranianos (John Davison/Reuters)

No momento em que o governo americano reconhece que sofreu, desde sexta-feira (17), três mortos em sua guerra provocada contra o Irã, o The New York Times, revelou nesta segunda-feira (20) que o Pentágono ocultou na semana passada dezenas de feridos após os ataques com mísseis balísticos do Irã contra bases militares americanas na região, especialmente na Jordânia.

Segundo o NYT, citando “várias autoridades americanas, que falaram sob condição de anonimato para discutir questões operacionais”, os ataques iranianos com mísseis balísticos “feriram dezenas de militares dos EUA” e “danificaram vários helicópteros”.

Embora os dois mortos americanos – haveria um desaparecido – houvessem feito a base na Jordânia debutar no noticiário, de acordo com os relatos outros três ataques deixaram de ser admitidos por Washington, assim como vítimas e danos resultantes.

Sobre tais ataques, já circulavam imagens de helicópteros bastante arregaçados e declarações da Guarda Revolucionária Islâmica sobre robustas baixas americanas.

Conforme o NYT, um oficial militar dos EUA afirmou que o Comando Central dos EUA (Centcom) não é obrigado a divulgar publicamente informações sobre militares feridos. Outro argumentou que fazê-lo poderia permitir que o Irã atingisse com mais precisão as forças americanas posicionadas na região com mísseis balísticos e drones.

A publicação observou, ainda, que o Pentágono não realizou uma grande coletiva de imprensa sobre a guerra desde maio, deixando o público com poucas informações sobre a estratégia militar dos EUA.

Na sexta-feira, a CBS News noticiou que ataques iranianos à Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, deixaram dois soldados americanos mortos e um desaparecido. As duas vítimas fatais foram posteriormente identificadas como o primeiro-tenente Tyler James Feehan, de 25 anos, do Havaí, e a soldado de primeira classe Isabella Gonzales, de 19 anos, do Texas.

O Pentágono reconheceu que mais um militar americano morreu no Iraque, em Erbil, nas imediações do consulado americano na região curda, durante o que descreveu como “a detonação controlada de um artefato explosivo não detonado proveniente de um drone de ataque unidirecional iraniano abatido”.

WSJ: ALOJAMENTOS ATINGIDOS

Também o Wall Street Journal (WSJ) registrou nesta segunda-feira que um míssil iraniano atingiu alojamentos destinados a tropas americanas em uma base na Jordânia e especificou que esse ataque mortal foi um dos três mísseis que atingiram a base, “demonstrando as dificuldades de proteção contra ataques de mísseis e drones iranianos”.

“O ataque com mísseis balísticos iranianos contra uma base aérea jordaniana, que matou dois militares americanos, atingiu alojamentos pré-fabricados onde as tropas viviam e dormiam”, escreve o jornal americano, citando autoridades americanas familiarizadas com o assunto.

O ataque à base aérea de Muwaffaq al-Salti foi um dos três ataques com mísseis contra a base em 24 horas na semana passada, matando dois soldados das unidades de defesa aérea e antimíssil do Exército, segundo autoridades. Os restos mortais de uma terceira pessoa foram encontrados no local e estão sendo examinados.

“O fato de três mísseis terem conseguido burlar as defesas aéreas dos EUA destaca as dificuldades em proteger os cerca de 50.000 soldados estacionados na região contra um exército iraniano que ainda possui um número considerável de mísseis balísticos e drones”, conclui o WSJ.

OPERAÇÃO ABAFA COMEÇOU ANTES

Uma “operação de encobrimento de baixas” no Irã pelo Pentágono foi denunciada em 1º de abril pelo portal The Intercept, segundo o qual quase 750 militares americanos haviam sido mortos ou feridos, um número consideravelmente maior do que o total oficial divulgado pelos EUA.

Autoridades americanas também se recusaram a comentar relatos de que as forças armadas estão ficando sem mísseis interceptores, bem como a explicar como o Irã continua lançando mísseis balísticos depois que Trump afirmou, em uma fase inicial da guerra, que a capacidade de mísseis do Irã havia sido destruída.

Na semana passada, Trump declarou que os países do Golfo deveriam reembolsar os Estados Unidos pela “proteção” que lhes foi concedida contra o Irã. Ele mencionou especificamente a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Bahrein e o Kuwait como países que deveriam compensar Washington por seu papel “na segurança”.

No entanto, os críticos argumentam que a guerra iniciada por Trump e Netanyahu colocou os Estados do Golfo Pérsico diretamente na linha de fogo, já que as forças americanas e israelenses usaram bases militares na região para lançar ataques contra o Irã, desencadeando o revide.

Também o Estreito de Ormuz, de que os países do Golfo dependem para exportar petróleo e gás, só foi fechado após a agressão americano-israelense ao Irã.

MOJTABA PROMETE “LIÇÕES INESQUECÍVEIS”

Observadores argumentam que a desastrosa guerra travada pelo governo Trump contra o Irã não alcançou nenhum de seus objetivos estratégicos. Pelo contrário, prejudicou o povo americano, remodelou o Oriente Médio de maneiras prejudiciais aos interesses dos EUA e corroeu ainda mais a posição global do país.

E os caixões com os soldados americanos mortos recomeçaram a chegar aos EUA, o que é péssimo a quatro meses das eleições que decide o controle do Congresso dos EUA.

Em 28 de fevereiro, EUA e Israel desencadearam um ataque de decapitação contra o Irã, assassinando com mísseis o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, em seguimento a uma tentativa de “revolução colorida” em curso desde o final do ano passado e em meio a negociações em Genebra, mas acabaram surpreendidos pela resiliência e unidade da nação iraniana e sua revolução, com Trump e Netanyahu fracassando rotundamente, e Washington sendo forçado a assinar um Memorando de Entendimento com base em 14 pontos apresentados por Teerã, estabelecendo um cessar-fogo em todas as frentes e negociações para um acordo final. Novamente, os EUA traíram a palavra dada e retomaram seus ataques no dia 7 de julho e o bloqueio naval, com o Irã respondendo à altura.

O novo líder supremo da Revolução Iraniana, Mojtaba, filho do assassinado Khamenei, em mensagem à nação afirmou que, diante da renovada agressão ao país, o Irã e a Frente de Resistência na região prepararam “lições inesquecíveis” para o inimigo americano.

O revide iraniano também bateu firme sobre o Kuwait, que virou uma espécie de porta-aviões americano no Golfo, e sobre a sede da Quinta Frota dos EUA, no Bahrein. Na Base Aérea de Ali al-Salem no Kuwait, um dos maiores centros de coordenação de operações aéreas dos EUA no oeste da Ásia, foram atingidos e destruídos um sistema de radar C-RAM estratégico e abrigos de drones e aeronaves. Camp  Arifyan, base operacional avançada do Comando Central do Exército dos EUA, foi também atingido, assim como Camp Adairi, um dos principais centros de logística e reorganização de forças do Exército dos EUA. O principal centro de logística e apoio do Exército dos EUA na região, o KJL, localizado em Mina Abdullah, na Baía do Kuwait, foi atacado.

E o Irã tem se dirigido às populações desses países, submetidos aos EUA, alertando sobre a urgência de expulsar das terras muçulmanas os imperialistas americanos que, ao longo das últimas décadas, mataram milhões de muçulmanos, no Afeganistão, Líbano, Líbia, Palestina, Síria, Somália e Sudão.

O que ecoa a célebre declaração do General Wesley Clark, ex-comandante da OTAN, que relata ter sido informado de um memorando do Pentágono, datado logo após o 11 de Setembro de 2001, que detalhava um plano dos Estados Unidos para “derrubar sete países em cinco anos”. A lista incluía: Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e Irã. Todos caíram; menos o Irã, por razões que os maiores funerais deste século, a despedida a Ali Khamenei, explicam.

Com informações de Hispan TV

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