Conspiradores do Focus trabalham dia e noite para quebrar o país

(Foto: Iano Andrade/CNI)

Elevam juro real e derrubam atividade econômica

Os bancos mantêm a pressão pela manutenção dos juros em patamares elevados no final de 2026. Segundo o boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (10), com base em consultas realizadas na última semana, com mais de 100 instituições financeiras, a taxa básica de juros (Selic) ficaria em 13,75%, com apenas mais um insignificante recuo de 0,25 ponto percentual na útima reunião do Comitê de Política Monetária deste ano.

Após o minguado corte da semana passada pelo BC, que reduziu a Selic de 14,25% para 14%, o juro real (descontada da inflação) chega a 10% ao ano, firmando o Brasil com a taxa mais alta do mundo.

Com a inflação oficial (IPCA), medida pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística, desacelerando, a mediana das expectativas para a inflação em 2026, pelo Focus, caiu de 5,03% para 5,02%, marcando a sexta semana seguida de queda das projeções pelo “mercado”.

A decisão do Banco Central, na reunião do Copom, garante a continuidade dos efeitos negativos da política monetária sobre as atividades produtivas e o investimento, além de agravar as condições financeiras das empresas e das famílias.

Os juros elevados inibem os investimentos produtivos, arrocham o consumo das famílias e agravam as despesas do governo com o pagamento da dívida, desviando para os cofres dos bancos os recursos necessários às necessidade do país.

Logo, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto, pelo cartel dos bancos, é ainda menor, afrontando todas as iniciativas do atual governo com programas para alavancar a economia. A previsão para o PIB em 2026 é de apenas 1,8%. Já a rentabilidade dos grandes bancos brasileiros, com juros recordes, estão entre as maiores do mundo.

JUROS ABUSIVOS ÀS FAMÍLIAS E ÀS EMPRESAS

Os juros abusivos impostos pelos bancos corroem a renda dos brasileiros, grande parte endividados e inadimplentes com os bancos, em particular, via cartões de créditos. Só em junho, a taxa de juros cobrada pelos bancos às pessoas físicas atingiram, em média, 64%, segundo o BC. No cartão de crédito ultrapassou 442% ao ano no rotativo! E ainda ameaçam a sociedade, reduzindo o crédito: “é um momento difícil para o setor bancário“, disse um senhor, em reportagem da Folha de S.Paulo (6 de agosto), onde também se manifestaram na mesma linha representantes dos dos maiores bancos privados do país: Itaú e Bradesco.

O Itaú Unibanco lucrou R4 12,4 bilhões no segundo trimestre deste ano, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O Bradesco obteve lucro líquido o período de R$ 7 bilhões, um aumento de 16,2% na mesma comparação.

Com a Selic posicionada acima de dois dígitos ao ano desde 2022, o país já soma mais de 9 milhões de CNPJs no vermelho e 83,7 milhões de brasileiros com seus CPFs negativados, segundo levantamentos da empresa Serasa.

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o endividamento bateu recorde em junho, ao atingir 82% das famílias no país.

No campo produtivo, dados do IBGE apontam que a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho deste ano, após queda de 0,9% em maio, acumulando perdas de 2,7% no período.

Por seus componentes, a produção de transformação caiu 1,8% enquanto a extrativa recuou -0,6%. Ao analisar os números do IBGE, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) destaca que, “ao longo desses últimos seis meses, os resultados desfavoráveis têm sido mais frequentes na indústria de transformação, que incluem atividades vulneráveis ao elevado patamar de taxas de juros que marcam a conjuntura atual do país”.

“No 1º semestre de 2026, em contraste com o quadro de um ano atrás, a indústria geral registrou aumento de +1,5% de sua produção física, estimulada pelo avanço de +7,4% do ramo extrativo. A indústria de transformação, por sua vez, ficou virtualmente estagnada ao variar apenas +0,4%, isso após a retração de -1,2% no 2º sem/25, também na comparação interanual”.

Os números de comércio e serviços de junho devem ser divulgados pelo IBGE nos próximos dias. Essas categorias econômicas também têm tido os seus desempenhos prejudicados pelos juros em patamares elevados.

Em maio de 2026, o volume de vendas no comércio varejista variou 0,1%, após queda de 1,6% em abril de 2026. Na modalidade ampliada, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção, etc., o volume de vendas em maio mostrou variação de -0,2%, depois da queda de 0,7% em abril de 2026.

Por sua vez, o volume de serviços no Brasil recuou 0,4% em maio frente a abril (+1,1%).

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