Em campanha salarial, bancários cobram aumento real, valorização e atendimento digno à população

Foto: Contraf-CUT

Categoria realizou paralisação nacional nesta quinta-feira (20)

Mobilizados em torno da campanha salarial, os bancários realizaram uma paralisação nacional de 24h na quinta-feira (20), que, de acordo com o Sindicato dos Bancários, “repercutiu e expôs a intransigência dos bancos” em atender as reivindicações da categoria.

O sindicato ressalta que a paralisação demonstrou a força da categoria em lutar e destacou os principais pontos da campanha salarial, entre eles a reivindicação de aumento real, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), reajuste do piso e melhorias nos benefícios, além do repúdio às demissões em massa.

A greve aconteceu diante da “falta de avanços nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026” e da proposta econômica apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na oitava rodada de negociação, realizada na terça-feira (18), “que não satisfaz as reivindicações da categoria”, destaca o sindicato.

Segundo a entidade, a proposta da Fenaban “congelava o piso de ingresso e tentava dividir os reajustes em três faixas salariais, atacando a unidade dos trabalhadores”.

Diante da tentativa dos bancos em cortar salários e direitos, impor altos reajustes no plano de saúde e fechar cada vez mais agências, o sindicato destaca que “a digitalização não pode significar exclusão”.

“Para os bancários, a digitalização não pode ser utilizada como justificativa para reduzir o atendimento presencial e os postos de trabalho. A transformação tecnológica do sistema financeiro é acompanhada, segundo o movimento sindical, pelo fechamento de agências e pela redução da presença física dos bancos justamente em locais onde a população mais precisa de atendimento”.

Para a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Moreira, a luta dos bancários, além da garantia de salários justos e manutenção de direitos, também é “uma luta por atendimento digno, pela reabertura e manutenção de agências e por um sistema financeiro que esteja a serviço da sociedade, e não apenas da rentabilidade dos bancos”, ressalta.

“Os números evidenciam um processo de demissões em massa, que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento à população. Além de representar um ataque aos direitos dos trabalhadores, essa prática compromete o acesso da sociedade aos serviços bancários. Quem paga essa conta é a população, especialmente os idosos, as pessoas mais pobres e aqueles que têm mais dificuldade de acesso aos meios digitais”, afirma o sindicato.

De acordo com Neiva Moreira, “ao mesmo tempo em que os bancos direcionam investimentos para os clientes mais rentáveis, buscando ampliar seus lucros, mantêm tarifas e juros elevados para a maioria da população”.

Ela ressalta que “é preciso lembrar que muitas operações digitais de idosos e de pessoas sem letramento digital são realizadas dentro das próprias agências, com o auxílio dos bancários. O trabalhador atende presencialmente, mas também dá suporte aos clientes nos canais digitais, muitas vezes atendendo várias pessoas simultaneamente. Portanto, dizer que a digitalização tornou o atendimento presencial desnecessário não corresponde à realidade: por trás de muitas operações digitais existe o trabalho do bancário”, destaca.

Conforme o sindicato, “a paralisação da quinta-feira foi um recado direto à Fenaban: os bancários querem negociação efetiva e uma proposta econômica que valorize salários, PLR e benefícios, além de medidas que garantam melhores condições de trabalho e atendimento à população”.

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