Ministro israelense supervisiona obra para enforcar palestinos

Sinistro Gvir e seu bolo de aniversário com desenho de forca e dizeres em hebraico: “Às vezes sonhos se realizam" (Redes Sociais)

Itamar Ben-Gvir acumula condenações internacionais, sanções de aliados e denúncia de genocídio na Corte Internacional de Justiça. Secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que comentários do ministro nazista são “terríveis” e “perigosos”

O ministro da lotado no gabinete de Netanyahu, pasta de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, visitou a construção de patíbulo para enforcar palestinos. Os enforcamentos sonhados pelo criminoso devem ter base em lei que, se aprovada no parlamento israelense (Knesset), permitirá pena de morte somente aplicáveis a palestinos, isentando judeus. No local, informou o fascista, “também estão começando a tomar forma” e erguidas as cabines para que se possam assistir e celebrar a execução da injustiça.  

Ben-Gvir, que comemorou seu 50º aniversário em maio com um bolo enfeitado com a imagem de uma forca feita de glacê, é uma das peças-chaves da nova lei da pena de morte israelense. Ele tem uma longa ficha corrida contra a população palestina. Segundo o ultradireitista, todos aqueles palestinos condenados por crimes em tribunais militares serão executados pela mesma lei – e com a mesmíssima corda – que não se aplica a radicais judeus. Aliás, estimulada pela impunidade de um Estado que amparado pelos sucessivos governos estadunidenses, age da forma mais perversa e covarde, à revelia do direito internacional.

Sendo assim, a lei da pena de morte, aprovada em primeira leitura por parlamentares israelenses este ano, por 62 a 48, foi enfaticamente condenada pela comunidade das nações pela violência e discriminação com que trata os palestinos, comprovadamente vítimas das mais bárbaras atrocidades por parte dos invasores que tratam a terra alheia como seu lar.

“ELIMINAR 30 A 40 PALESTINOS EM GAZA A CADA NOITE”

Conclamações desse tipo feitas repetidamente por ele ao longo da guerra de extermínio travada pelos radicais sionistas contra a Palestina já foram apontadas na Corte Internacional de Justiça (CIJ) como evidência de intenção genocida no processo movido pela África do Sul contra Israel.

Em 16 de agosto deste ano o ministro de Netanyahu propôs que Israel realizasse “assassinatos seletivos” na Faixa de Gaza, eliminando entre 30 e 40 pessoas por noite. Explicitando que a medida não deveria se limitar a quem representasse ameaça imediata, pois “há pessoas ali que não merecem viver”, já que “nem sequer são pessoas”, afirmou que “toda a Gaza” pertence a Israel. Daí, assinalou, a necessidade da construção de colonatos por todo o território palestino, e a relevância da “maior emigração possível” da população local.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou as defesas de matanças feitas por Ben-Gvir como “terríveis”, “ultrajantes”, “desumanizantes” e “perigosas”. A relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, acrescentou que a prática do Exército israelense é a “mais imoral”, condenando o criminoso cerco à aldeia de Qusra, na Cisjordânia, e a continuidade da política de cerco e aniquilamento em Gaza, mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro de 2025. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, desde então o número de mortos nos territórios já ultrapassa mil.

 A diretora sênior da Anistia Internacional, Erika Guevara-Rosas, explicou que a lei sionista “desmantela salvaguardas fundamentais” contra a privação arbitrária da vida e aprofunda o sistema de discriminação contra os palestinos. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, condenaram as falas como violação do direito internacional.

A avaliação da senadora americana Elissa Slotkin avaliou os comentários do ministro de Segurança de Israel como “abomináveis ​​e uma demonstração vergonhosa” do gabinete de Netanyahu. “Ele deveria ter sido afastado há muito tempo de qualquer cargo governamental e condenado publicamente por qualquer pessoa que afirme se preocupar com os civis – israelenses ou palestinos – da região”, assinalou.

Ben-Gvir já é alvo de sanções e proibições de entrada no Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Noruega, adotadas em junho de 2025 sob a acusação de incitar violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia. A França proibiu sua entrada em maio de 2026 e a Irlanda impôs medidas próprias.

O processo movido pela África do Sul contra Israel por violação da Convenção do Genocídio de 1948 em Haia determinou medidas provisórias, mas o caso segue na fase de alegações escritas, sem decisão de mérito. É nesse processo que declarações como as de Ben-Gvir têm sido apresentadas como “indício de intenção genocida”.

Em Gaza, números oficiais relatam que a guerra genocida de Israel – que desde 7 de outubro de 2023 – assassinou mais de 73 mil pessoas e deixou mais de 174 mil feridas, a maioria delas mulheres e crianças.

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