Nas vésperas das eleições presidenciais, a direção dos Correios abre nova ofensiva do Plano de Desmonte dos Correios (PDC), fonte de desgaste do governo federal desde que estourou a crise em 2024.
Foi reaberto mais um Plano de Desligamento Voluntário (PDV), depois do fracasso do plano anterior, no início deste ano, quando foram fulminados mais de 3 mil postos de trabalho. A projeção do plano era de 10 mil desligamentos neste ano e mais 5 mil em 2027.
Para tentar completar a cota de desmonte, a direção da empresa reabriu novamente o plano. As inscrições para o programa começaram nesta quinta (20) e vão até o dia 30 de setembro.
Conforme nota da empresa, o incentivo financeiro será calculado de acordo com a situação de cada empregado, considerando as rubricas do regulamento, o tempo de serviço, a idade e os adicionais por aposentadoria e incorporação. O incentivo varia de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil e é pago integralmente, em parcela única.
Elias Diviza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo, avaliou que “a crise dos Correios, que estourou em 2024, vem germinando há alguns anos”. Para o líder sindical, nos governos Temer e Bolsonaro, os Correios foram sucateados. “Não investiram em tecnologia, em e-commerce (comércio eletrônico pela internet) nem na frota. Além de terem deixado um pesado passivo trabalhista, por não cumprirem os acordos coletivos, de mais de R$ 2 bilhões”.
“Ainda no governo Dilma, a empresa, sem condições, repassou R$ 3 bilhões para o governo federal”. Diviza afirmou que “o Haddad cortou a chamada taxa das blusinhas, que dava um bom faturamento para empresa – imposto de 20% sobre mercadorias importadas até 50 dólares. O resultado foi um prejuízo de mais alguns bilhões”.
Para o presidente da entidade, “os Correios são uma máquina de fazer dinheiro: de 2017 a 2020 o lucro somou R$ 2,38 bilhões e, em 2021, R$ 3,7 bilhões”.
“Esse equilíbrio foi por água abaixo quando entraram as plataformas. Fazem dumping, só concorrem nos grandes centros, não devolvem as encomendas com destino não encontrado e, se aproveitando da falta de empregos, desrespeitam a legislação trabalhista e a CLT”, declarou.
O rombo em 2024 foi de R$ 2,6 bilhões. Em 2025 foi de 8,5 bilhões, segundo cálculos da estatal.
As entidades sindicais dos Correios, como a FENTECT (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) e sindicatos estaduais, “repudiam de forma contundente” os Planos de Demissão Voluntária (PDV) lançados pela direção da estatal.
Para as entidades sindicais, “a crise financeira e o déficit da empresa são frutos de má gestão histórica de sucessivas administrações, pela falta de investimentos e ausência de concursos públicos, e não responsabilidade dos trabalhadores”.
CARLOS PEREIRA










