“Déficit” dos Correios é arapuca para privatização

Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil

Em “cruzada” pela privatização dos Correios, o conglomerado GLOBO, através do g1, apresentou um balanço em que o déficit da empresa cresce numa escalada geométrica e deve chegar, neste ano, a R$ 10 bilhões. Em 2025, foi de R$ 8,5 bilhões, depois de registrar R$ 2,4 bilhões em 2024.

O principal motivo apontado seria o pagamento de precatórios (ordens de pagamento judiciais), que somou cerca de R$ 6,4 bilhões. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP), Elias Divisa, os governos Temer e Bolsonaro “deixaram um pesado passivo trabalhista, por não cumprirem os acordos coletivos”.

Também não menciona que de 2017 a 2020 o lucro da empresa somou R$ 2,39 bilhões e, em 2021, R$ 3,7 bilhões. Por outro lado, a empresa repassou R$ 3 bilhões para o governo Dilma e o corte de 20% da “taxa das blusinhas” deu um prejuízo aos Correios de alguns bilhões.

Segundo Divisa “os Correios entregam encomendas para todos os 5.570 municípios. Somente 300 são lucrativos. Exercem o papel destacado na integração nacional, num país de dimensões continentais, com a maior reserva florestal do planeta, em uma situação de subdesenvolvimento e miséria acentuada. Garante, entre outros, que cheguem ao seu destino as provas do Enem, os remédios, as vacinas. Essa possibilidade é garantida pelo sistema de subsídios cruzados, ou seja, o lucro dos grandes centros subsidiavam os prejuízos nos recantos isolados.

Com a concorrência desleal do serviço de entregas do cartel privado, esse equilíbrio foi por água abaixo. Fazem dumping, só concorrem nos grandes centros, não devolvem as encomendas com destino não encontrado e desrespeitam a legislação trabalhista.

O problema é no mundo todo: nos EUA prejuízo é de US$ 9 bilhões. Na Inglaterra, o serviço postal, de 500 anos, foi multado em 5,6 milhões de libras pelo atraso na entrega nas encomendas.

C.P

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