Bancários recusam acordo com Fenaban após proposta de reajuste com perda real de salário

Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários. Foto: Seeb-SP

Após nove mesas de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) finalmente apresentou, na décima rodada, uma proposta concreta de reajuste salarial e benefícios, mas, de acordo com o Sindicato dos Bancários, “decepcionou”. A proposta, abaixo da inflação, foi considerada inaceitável e recusada ainda na mesa de negociação pelo Comando Nacional dos Bancários.

Segundo o Comando, a proposta apresentada pelos banqueiros – reajuste total de 2,57% para salários, VA e VR, auxílio creche, auxílio home office e auxílio para pais com filhos com deficiência, com congelamento da PLR e piso de ingresso –, “passou longe de atender as expectativas e necessidades da categoria”.

Os representantes dos bancários explicam que, com a estimativa da INPC até a data-base da categoria (1º de setembro) em 4,13%, este índice de 2,57% de reajuste representa apenas 62% da inflação (INPC) e uma perda salarial real de 1,5% para a categoria.

“Esta proposta representa só 62% da inflação estimada para a nossa data-base. Impõe perda salarial real de 1,5% aos bancários, além de não valorizar a PLR, o piso e demais verbas. É inaceitável que um dos setores mais lucrativos e rentáveis da economia, que demorou tanto para apresentar uma proposta, não valorize seus trabalhadores com aumento real para todas as verbas”, destacou a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.

“Os bancos são generosos com altos executivos, têm lucros elevadíssimos e ainda assim agem com desrespeito com os bancários. A proposta está entre os 0,46% piores reajustes de 2026. 99,54% das negociações salariais resultaram em reajustes melhores que a proposta da Fenaban, que representa custo de só 0,9% do lucro do setor em 2025, de R$ 182,4 bilhões. Sem aumento real não tem como sair desta campanha!”, afirmou a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando, Juvandia Moreira.

O Comando Nacional e demais entidades sindicais também denunciam os altos índices de demissões na categoria e destacam que, só entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o setor bancário registrou mais de 37.500 desligamentos.

As entidades afirmam ainda que, “enquanto se negam a apresentar uma proposta decente aos bancários e bancárias, os três maiores bancos privados do país já aprovaram, para 2026, uma remuneração média anual de R$ 12,5 milhões para os altos executivos – reajuste de mais de R$ 1 milhão em relação a 2025”.

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