O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu nesta quarta-feira (26) a declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) já apresentou explicações suficientes sobre o caso envolvendo o filme Dark Horse. Em entrevista ao portal Assiscity, em Assis, Haddad afirmou que “não tem nada explicado” e acusou o governador de tentar “abafar” o episódio.
“Tá tudo explicado. O que ele quer? Abafar a investigação da Polícia Federal?”, questionou Haddad.
Mais cedo, Tarcísio havia afirmado considerar suficientes as explicações apresentadas por Flávio até o momento. “Acho que ele já deu explicações. Se nenhum fato novo aparecer, eu acho que está tudo esclarecido”, disse o governador após participar de um evento de campanha na zona sul de São Paulo.
Ao comentar a declaração, Haddad destacou que as apurações sobre o caso continuam e questionou a posição de Tarcísio antes da conclusão das investigações.
“Aquele telefonema do Vorcaro tá explicado? Os R$ 61 milhões que o Vorcaro botou de dinheiro público, roubado de fundo de pensão, para financiar um filme vagabundo, tá explicado? Como explicaram as rachadinhas, como explicaram a compra de 50 imóveis com dinheiro vivo, como explicaram a mansão, tá tudo explicado? Não tem nada explicado”, afirmou.
O petista disse ainda defender que eventuais suspeitas sejam investigadas independentemente do partido ou do alinhamento político dos envolvidos.
“O País precisa de explicação, e é de todo mundo, viu? Eu não sou desses. Quem tem que explicar, tem que se explicar. PT, PL, Republicanos, fez alguma coisa que inspira atenção, explica”, declarou.
Haddad também citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como contraponto à postura que atribuiu a Tarcísio. Segundo o candidato, a investigação deve avançar mesmo quando envolve aliados ou familiares.
“Olha a diferença dele para o Lula. Quando o Lula fala, pode investigar meu filho, que eu quero saber a verdade. Não vou mudar ministro, não vou mudar delegado, não vou fazer o que o Bolsonaro fez para proteger o Flávio”, afirmou.
DARK HORSE
O financiamento do filme Dark Horse entrou no debate político em maio. Na ocasião, Tarcísio afirmou que Flávio Bolsonaro precisava apresentar explicações sobre o caso. O senador, então, prometeu uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento da produção.
Em 19 de maio, Flávio disse ter pedido à produtora Go Up, responsável pelo longa, que organizasse uma prestação de contas “a todo mundo”, de forma transparente, em até 30 dias.
O tema voltou a ganhar força em 19 de agosto, quando o PT passou a cobrar publicamente os “90 dias sem explicações”. A assessoria de Flávio respondeu que a produtora teria prestado contas à Justiça dentro do prazo.
O laudo apresentado pela produtora aponta gastos de R$ 75 milhões, mas não detalha quem foram os financiadores da produção.
A ausência de uma prestação de contas pública passou a ser um ponto de desgaste político para Flávio. Em 20 de agosto, o senador afirmou considerar o caso “página virada” e disse que a prestação de contas já havia sido realizada. Quatro dias depois, ao ser novamente questionado por jornalistas, reagiu: “Vocês estão parados no tempo?”.
Enquanto o debate público se concentra nas explicações apresentadas por Flávio, as apurações sobre o caso continuam no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU).
No STF, foi instaurada investigação para apurar possível direcionamento de emendas parlamentares a entidades ligadas à produção do filme, sob relatoria do ministro Flávio Dino.
No TCU, o ministro Benjamin Zymler foi sorteado como relator de uma representação que pede a apuração de possíveis irregularidades. O documento cita, entre outros pontos, o contraste entre valores mencionados em diálogos e declarações de Flávio de que haveria “zero de dinheiro público” na produção.











