“E aí vêm alguns que se dizem patriotas dizer o seguinte: ‘Nós precisamos entregar tudo para os Estados Unidos’”, criticou a ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo
A ex-ministra Simone Tebet (PSB-SP) afirmou que as empresas brasileiras, principalmente do agronegócio, seriam prejudicadas pela subordinação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos caso ele seja eleito presidente.
Simone é candidata ao Senado por São Paulo na chapa com Marina Silva (Rede-SP) e apoia o presidente Lula em sua reeleição.
Para ela, a eleição presidencial de 2026 será “a mais importante da história das nossas vidas” porque pode resultar na entrega das riquezas do Brasil aos Estados Unidos.
“Não é só falar de democracia ou soberania, né? A gente tem algo que o mundo inteiro quer, os Estados Unidos estão de olho e o mundo está de olho, que são as nossas riquezas”, comentou a ex-ministra do Planejamento em entrevista ao podcast Três Irmãos.
Os Estados Unidos têm se movimentado cobiçando as terras raras e os minerais críticos do Brasil. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e esses elementos têm cada vez mais importância na economia global por serem utilizados na produção de tecnologias modernas.
O governo dos EUA já financiou uma empresa, a USA Rare Earth, para comprar a única mina de terras raras com produção em níveis comerciais fora da Ásia, a Serra Verde, localizada em Goiás.
Essa compra também prevê que os EUA serão os compradores das terras raras produzidas lá pelos próximos 15 anos.
Simone alertou que “se a gente não cuidar de explorar da forma correta, vai acontecer igual [o que está] acontecendo com as commodities. Vai [exportar] a soja in natura, o café in natura, o óleo, o grão, sem sequer trabalhar e elaborar esse processo aqui, sem trazer valor agregado para esse produto, gerar emprego de qualidade e renda, que é a chamada agroindústria”.
Tebet explicou que, com o modelo atual de exportação de commodities, “nem a agroindústria nós temos direito no Brasil, um pouco ‘malemá’ aqui no estado de São Paulo”.
“E aí vêm alguns que se dizem patriotas dizer o seguinte: ‘Nós precisamos entregar tudo pros Estados Unidos’”, criticou.
Nesse cenário em que Flávio Bolsonaro entrega as riquezas e a soberania do Brasil a Donald Trump, a relação econômica com a China, maior parceiro comercial do Brasil, pode ser gravemente afetada, comentou a candidata.
“O agronegócio brasileiro sobrevive hoje sem a China? Não, né? O agronegócio brasileiro não sobrevive sem a China”, apontou.
“A depender de quem nós elegermos, em 2027 como é que vai ficar a relação do Brasil com a Ásia, com a China? A depender do que os Estados Unidos falarem assim: ‘Não, mas para eu continuar ajudando, eu quero que vocês cortem relação, não comprem mais, não façam transação em outra moeda, não quero mais o Pix circulando no Brasil porque tá atrapalhando o cartão de crédito do Mastercard e Visa’”, acrescentou Simone Tebet.
“É isso que está em jogo, não é questão de ideologia, direita ou esquerda. Eles estão pensando o seguinte: os Estados Unidos sabem que estão perdendo a hegemonia. Quem é a maior potência do mundo hoje é americana, mas é uma hegemonia de uma discussão que não interessa para o Brasil. O Brasil não tem preconceito com acordo de dinheiro estrangeiro que vem, investimentos americanos que vêm, dinheiros e investimentos estrangeiros, mas sob as nossas regras”, completou.










