Instituto alerta em carta a Fachin para ingerência de Trump nas eleições

Edson Fachin, presidente do STF (Foto: Antonio Augusto - STF)

O presidente do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, enviou uma carta ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), alertando que os Estados Unidos já tentam interferir nas eleições brasileiras e pediu à Corte que se posicione.

“Já existe ingerência externa por parte dos Estados Unidos e há um indício muito forte de que, sim, a tendência seguirá nesta crescente com relação às eleições brasileiras para a presidência e o possível não reconhecimento do resultado do pleito”, apontou Sottili na carta.

Os Estados Unidos impuseram tarifas a mais sobre os produtos brasileiros para pressionar economicamente o Brasil no período eleitoral, assim como estão tentando enviar funcionários federais para disseminar mentiras sobre as urnas eletrônicas.

O governo de Donald Trump tem buscado interferir nas eleições para favorecer seu aliado Flávio Bolsonaro. O candidato a presidente defendeu a medida dos EUA de declarar o PCC e o CV como organizações terroristas e prometeu a Trump entregar as terras raras brasileiras.

O presidente do Instituto Vladimir Herzog destacou que “um eventual questionamento internacional do resultado eleitoral pode deixar de ser apenas um problema diplomático quando passa a ser utilizado internamente para deslegitimar decisões judiciais, estimular o descumprimento da Constituição, atacar a independência do Poder Judiciário ou sustentar iniciativas voltadas à ruptura da ordem democrática”.

O documento enviado ao STF diz que é urgente que as instituições brasileiras tomem medidas como “assegurar que a Organização dos Estados Americanos (OEA) possa exercer seu papel de acompanhamento das eleições com autonomia, rigor técnico e postura republicana diante das pressões políticas que atravessam o atual cenário internacional”.

Sottili conta na carta que esteve nos Estados Unidos e conversou com lideranças políticas e da sociedade civil, concluindo que Donald Trump vai manter uma postura agressiva em relação ao Brasil.

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