O secretário do Exército, Dan Driscoll, renunciou ao cargo na segunda-feira (31), em meio à mais impopular guerra nos EUA desde o início, a contra o Irã, notícias de uma purga nos altos mandos, vazamento de alerta de generais e almirantes de que o prolongamento da guerra “é insustentável”, dois porta-aviões em petição de miséria, confirmação de que a destruição nas bases do Golfo foi muito maior do que o admitido e que os arsenais de mísseis estão depletados.
E, segundo os principais jornais americanos, após repetidos arranca-rabos com o chefe do Pentágono e ex-apresentador da Fox News, o performático Pete Hegseth, cuja ênfase, além de puxar o saco de Trump, é apagar o suposto culto às minorias e à diversidade nas fileiras armadas, em detrimento do “mérito”, e restaurar a “letalidade” e a testosterona.
A demissão deixa descabeçada a principal força, já que o chefe do Estado Maior do Exército, general Randy George, com quem Driscoll tinha afinidade, foi demitido em abril por Hegseth.
O cargo de Driscoll é um cargo civil. Ele foi o mais jovem secretário do Exército e tem proximidade com o vice JD Vance, com quem cursou a Universidade de Yale e também especulador. De acordo com o WSJ, sua principal iniciativa era impulsionar a adoção mais ampla dos drones.
A guerra que deveria só durar uma semana, pelo menos na cabeça de Trump e Netanyahu, se transformou num atoleiro que já leva seis meses, de que as sucessivas e vexaminosas situações de dois porta-aviões nucleares, o USS Gerald Ford e o USS Abraham Lincoln, com marujos tentando suicídio, comida estragada, latrinas entupidas e vazamentos e até explosão de lavanderia, são um fiel espelho.
Aliás, com uma ajudinha dos mísseis e drones iranianos que destruíram a sede da 5ª Frota dos EUA no Bahrein, obrigando a transferir a logística para a base de Diego Garcia, a 3500 km. Também virou notícia que os arsenais de mísseis dos EUA haviam sido substancialmente esvaziados pela intensa resposta iraniana. Tiveram até de deixar o Pacífico sem um porta-aviões.
“INSUSTENTÁVEL”
Dois dias antes da renúncia de Driscoll, altos mandos militares vazaram, através do Washington Post, que consideravam que o prolongamento da guerra contra o Irã era “insustentável” e que a guerra tinha ido “longe demais e tempo demais”. Em suma, uma confissão da sobre-extensão da força armada americana.
Simplesmente, foi transmitida a reação dos altos mandos ao chamado livro de ordens (SOB, na sigla em inglês) de 14 de agosto, documento produzido duas vezes por mês e que estabelece a disponibilidade mundial de navios, aeronaves, pessoal e sistemas de armas, refletindo as prioridades do presidente Trump.
A determinação de que algumas tropas destacadas no Golfo iriam permanecer até setembro e outras até 2027, gerou “preocupação” entre os líderes do Comando Europeu americano, do Comando do Pacífico americano e do Comando Sul americano, que se pronunciaram, expressando a sua “não concordância” mas sua prontidão a cumpri-la.
Segundo esses relatos, certos generais e almirantes foram mais expansivos e francos do que o usual ao dizer a Hegseth que discordavam das ordens para continuar fornecendo equipamentos e pessoal quando a trajetória da operação ainda é incerta.
“[O almirante Daryl] Caudle transmitiu a Hegseth que mal um quarto da frota de contratorpedeiros da Marinha está pronta para ser implantada, uma queda acentuada em relação aos níveis pré-guerra, disseram aqueles familiarizados com a avaliação”.
PURGA NÃO PARA
Desde que Trump assumiu seu segundo mandato, a purga não parou no Pentágono. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Charles Brown Jr, aliás, negro, foi demitido em fevereiro de 2025, assim como seu vice, James Slife.
A primeira mulher a liderar um ramo das forças armadas americanas, a chefe de Operações Navais, almirante Lisa Franchetti foi afastada também na mesma época. A comandante da Guarda Costeira, almirante Linda Fagan, foi demitida no primeiro dia do governo Trump 2.
Nas promoções, um grande número de oficiais foram ostensivamente preteridos e praticamente aposentados.
Na mesma leva em abril de 2026 do general George foram exonerados o chefe dos capelães, major-general William Green, e o comandante de treinamento, general David Hodne.
Em janeiro, o comandante do Comando Sul, almirante Alvin Holsey, se demitiu por divergências com a política de execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico a título de ‘combate ao narcotráfico’. Em abril, também por divergências, o secretário da Marinha, John Phelan, foi demitido.
The Wall Street Journal – o primeiro a noticiar a demissão de Driscoll – revelou que ele na semana passada participara da cerimônia de aposentadoria em Fort Bragg para o general Chris Donahue, que serviu como o principal oficial do Exército na Europa até Hegseth rebaixar seu cargo, efetivamente encerrando sua carreira militar.
De acordo com uma fonte, “Driscoll levantou preocupações com a administração em relação à transformação e prontidão do Exército, e Hegseth está bloqueando esses esforços especificamente demitindo os generais responsáveis”. Ele também seria “cético” sobre algumas decisões sobre o Irã.
Em outro episódio, o editor e uma repórter do jornal ligado às forças armadas, o “Stars and Stripes”, foram demitidos após a publicação noticiar a angústia dos familiares dos marinheiros com os problemas a bordo do USS Abraham Lincoln.











