Farsa: Mendonça fabricou inquéritos contra “Lulinha” e acobertou crimes de Flávio Bolsonaro

André Mendonça, ministro do STF (Foto: Marcelo Casal Jr- Agência Brasil)

Seu objetivo foi tentar interferir no processo eleitoral. Ataques a Alexandre de Moraes, a Paulo Gonet e ao chefe da PF também fazem parte do plano bolsonarista

Durante essa semana as coisas foram ficando mais claras. Passamos o mês de agosto inteiro assistindo ao esforço de André Mendonça em perseguir o filho do presidente Lula. Foram abertos três inquéritos por ordem dele para investigar Fábio Luís Lula da Silva sem que houvesse nenhuma prova de ilícitos cometidos por ele. O que haviam eram ilações.

Já o escândalo envolvendo o candidato fascista Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, onde há não só uma exuberância de provas, como até confissões de crime pelos envolvidos, o ministro do STF não moveu uma palha para investigar o caso. Manteve tudo em sigilo, enquanto tornava públicas as ilações contra Fábio Lula da Silva.

Claramente uma atuação partidária. Seu objetivo era interferir no resultado das eleições em curso. Sentou em cima de uma transferência criminosa de R$ 65 milhões roubados pelo dono do Banco Master para Flávio Bolsonaro. O senador foi flagrado pedindo o dinheiro. Num primeiro momento negou que fosse ele no áudio obtido pela Polícia Federal, mas depois, não teve mais como se esconder. Então, inventou que não sabia que Vorcaro era um criminoso. Foi desmentido de novo. Ele tinha ido à casa do banqueiro em São Paulo para pegar dinheiro quando este já usava tornozeleira eletrônica.

Depois mentiu mais uma vez justificando o crime dizendo que não havia dinheiro público envolvido. Outra mentira deslavada. O dono do Master roubou dinheiro de servidores públicos, aposentados e pequenos investidores, além do banco público de Brasília, o BRB. Só deste último foram desviados R$ 12 bilhões. A fraude do Banco Master causou um rombo de R$ 50 bilhões. Foi a maior fraude bancária da história. Tudo dinheiro público. Flávio recebeu dinheiro público roubado e Mendonça sentou em cima da investigação.

Seu objetivo era claro. Acobertar os crimes de Flávio Bolsonaro e produzir um escândalo artificial em cima do filho do presidente Lula. A meta era atingir e desgastar a imagem do presidente da República. Uma atuação claramente partidária e completamente incompatível com o cargo.

Mas ele não estava satisfeito. Mesmo tendo participado de reunião secreta com Daniel Vorcaro, lançou suspeitas de que Alexandre de Moraes, principal barreira ao fascismo nos últimos anos no Brasil, estivesse cometendo crimes em suas relações com o dono do Master. Baseou-se num contrato moralmente inexplicável do escritório de advocacia de sua esposa com o Banco Master. Mas a verdade é que não havia, e não há até agora, provas de crimes cometidos por Moraes. Assim como também o encontro secreto de Mendonça com Vorcaro não quer necessariamente dizer que houve um crime.

Mendonça então, atropelou todas as normas de funcionamento do Supremo e pediu investigações contra Moraes. Atacou também o Procurador Geral da República, Paulo Gonet e o chefa da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Imediatamente, Alexandre de Moraes revidou apontando os ilícitos de Mendonça e também pediu investigações do ministro bolsonarista. O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade das iniciativas de André Mendonça. Abriu-se uma crise no STF e o presidente Edson Fachin chamou para si a solução.

O fato importante é que a farra bolsonarista foi barrada pelas iniciativas de Moraes e Gonet. Agora o país inteiro quer que tudo seja investigado, principalmente o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Os bolsonaristas, evidentemente, tentam tirar o foco sobre os crimes de seu candidato. Por isso concentram os ataques em Alexandre de Moraes. Qualquer analista percebe os objetivos do jogo bolsonarista. É a preparação de uma crise fabricada para interferir no processo eleitoral brasileiro a favor do fascismo. O Brasil não pode cair nesta armadilha.

SÉRGIO CRUZ

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