Tarcísio fracassa na educação, descumpre metas e tenta justificar quedas nos resultados

Tarcísio participou de sabatina no SPTV - Foto: Reprodução/TV Globo

Em sabatina realizada pelo SPTV da TV Globo nesta quarta-feira (16), o candidato à reeleição ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi questionado sobre o desempenho de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o não cumprimento das metas nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. 

O governador relativizou o resultado ao destacar a evolução das notas durante sua gestão e citar outros indicadores da educação paulista. 

Segundo os dados apresentados durante a entrevista, nos anos finais do ensino fundamental São Paulo obteve 5,2 em 2025, diante de uma meta de 5,8. No ensino médio, o estado ficou com 4,3, ante uma meta de 5,1.

Tarcísio respondeu destacando que as notas vêm crescendo e citou também resultados do Pisa. No Ideb, afirmou que os anos finais do ensino fundamental passaram de 5,1 para 5,2 e que houve avanço também no ensino médio.

O governador argumentou ainda que é preciso considerar no desempenho do ensino médio os estudantes matriculados no ensino técnico, modalidade que foi ampliada durante sua gestão.

Tarcísio também reconheceu que não deverá cumprir a promessa feita na campanha de 2022 de ter 60% dos alunos da rede estadual no ensino integral. Atualmente, segundo dados da Secretaria da Educação citados na entrevista, pouco mais de 30% dos estudantes estão nessa modalidade.

O governador disse que sua gestão priorizou a estruturação das unidades e afirmou que não basta transformar formalmente uma escola em tempo integral sem oferecer atividades e profissionais necessários.

Tarcísio prometeu ampliar em mais 500 unidades o número de escolas de tempo integral nos próximos anos, mas admitiu, ao ser questionado se chegaria aos 60% prometidos: “Não devemos chegar.”

SABESP

Questionado sobre acidentes com mortes, falta d’água e o aumento das reclamações contra a Sabesp após a privatização, Tarcísio lamentou as mortes e relacionou o número de acidentes e a falta de água ao ritmo acelerado das obras para conseguir atingir uma meta que chamou de “ousada”. “Primeiro a gente tem que lamentar essas mortes, e isso deixa a gente profundamente triste”, afirmou.

Segundo o candidato, a Sabesp “se apressou demais” nas obras porque tem a meta de universalizar o saneamento nos 371 municípios atendidos até 2029. Tarcísio afirmou que, diante dos acidentes, a empresa mudou procedimentos de segurança, com a criação de um departamento ligado diretamente à presidência e a priorização de métodos não destrutivos nas intervenções.

Tarcísio também atribuiu os episódios de falta d’água aos investimentos realizados pela companhia. “A falta d’água está muito relacionada aos investimentos que estão sendo feitos”, afirmou. Segundo ele, intervenções como novas adutoras e reservatórios afetam temporariamente o sistema, enquanto a companhia também precisa substituir uma rede antiga, que, de acordo com o governador, perde cerca de cinco metros cúbicos de água por segundo.

O candidato defendeu os resultados obtidos após a privatização e afirmou que a Sabesp passou a tratar 1 bilhão de litros de esgoto a mais por mês, reduziu em 22% o lançamento de esgoto sem tratamento em rios e mananciais e ampliou o serviço para mais de 1,5 milhão de residências. Sobre as reclamações relacionadas às contas, reconheceu que houve cobranças indevidas e disse que a empresa está revendo os casos e melhorando os canais de atendimento.

SEGURANÇA

Na segurança pública, Tarcísio afirmou que pretende “aumentar o custo do crime” e defendeu mudanças na legislação para restringir benefícios a criminosos reincidentes. Segundo ele, não é possível combater a criminalidade prendendo repetidamente as mesmas pessoas pelos mesmos delitos.

“A gente entende que precisa aumentar o custo do crime, porque não é possível você combater o crime prendendo o mesmo ladrão, o mesmo marginal 30, 35 vezes pelo mesmo ato.”

Questionado sobre a superlotação do sistema penitenciário paulista, Tarcísio prometeu construir mais dez presídios nos próximos quatro anos.

“A nossa ideia é construir mais dez presídios ao longo dos próximos quatro anos. Presídios modernos, bem estruturados para a gente tirar essa pressão.”

Durante a entrevista, o SPTV  citou dados do Tribunal de Contas do Estado segundo os quais o sistema tem 76 mil presos acima da capacidade e seriam necessárias mais de 50 unidades para eliminar o déficit de vagas.

Tarcísio afirmou que o sistema está “bem controlado” e disse que o governo vem realizando remanejamentos e separando presos de acordo com critérios como periculosidade e pertencimento a facções criminosas. Também ponderou que a expansão do sistema precisa respeitar as condições fiscais do estado.

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