O ministro Gilmar Mendes, na sessão do STF desta terça, criticou duramente a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo.
Gilmar Mendes disse que “qualquer pessoa que sabe o que é a Polícia Federal, uma instituição armada e submetida à hierarquia, não afastaria o diretor-geral. É como tirar o comandante do Exército: não se faz. Quando tiver a tentação, tem que pedir a Deus que interceda”.
“Submeter uma instituição que já tem todos os problemas que tem a esse tipo de vexame é de uma gravidade que eu jamais vi”, continuou.
Para Mendes, “André Mendonça inseriu o STF no processo eleitoral” e há uma “evidente condução político-eleitoral” do inquérito do Master. “Isso não se faz. Pessoas decentes não fazem isso”.
Gilmar Mendes afirmou que os relatórios encomendados por André Mendonça no período eleitoral foram pedidos com base em informações que já estavam presentes nas investigações desde março.
MORAES
O ministro Alexandre de Moraes afirmou, em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), que André Mendonça fraudou uma delação premiada para incluí-lo, Moraes, em investigações ilegais.
Alexandre de Moraes apontou que André Mendonça “chamou a PF e exigiu que ela colocasse um colega [do STF] na colaboração premiada”.
“Eu tenho testemunhas [afirmando] que o ministro André [Mendonça], em reunião, (…) disse ‘inclua o ministro Alexandre’”, declarou o ministro.
“André está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país”, assinalou Moraes.
A acusação foi feita durante a sessão do Supremo que está julgando o relatório da PF, produzido a mando de André Mendonça, que pode resultar em um inquérito tendo Moraes como alvo.
André Mendonça, enquanto relator do inquérito do Banco Master, esperou o período das eleições para dar andamento a diligências que favorecem Flávio Bolsonaro. O ministro chegou ao STF por indicação de Jair Bolsonaro.
Ele chamou os delegados da Polícia Federal para uma reunião na qual exigiu a produção de um relatório que citava Alexandre de Moraes. No encontro, ele mostrou um despacho já pronto, mas ainda não assinado, para dar andamento à investigação ilegal contra outro ministro.










