Além de jornalistas, Daniel Vorcaro, financiador de Flávio Bolsonaro, ameaçou até diretor do Itaú

Flávio recebeu R$ 61 milhões do banqueiro ladrão Fotos: reprodução e Agência Senado)

Mensagens obtidas pela PF mostram Vorcaro dizendo que Milton Maluhy (CEO do Itaú) estaria lhe “causando muito problema”. “Deixa comigo, chefe”, respondeu o capanga

Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, patrocinador de Flávio Bolsonaro, não perdoou ninguém. Até o dirigente o do Banco Itaú e sua família foram monitorados por seu esquema de espionagem.

Ele pediu que o empresário Thiago Miranda monitorasse o CEO do Banco Itaú, Milton Maluhy, e sua esposa, Camila Moretti Maluhy. Na troca de mensagens, Vorcaro diz que Milton está lhe “causando muito problema”. A Polícia Federal fechou o cerco sobre Thiago Miranda na 10ª fase da Operação Compliance Zero para apurar as ações coordenadas da quadrilha com vistas a atacar adversários e o Banco Central.

Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos nesta quinta-feira (9) dois mandados de busca e apreensão em Brasília. Daniel Vorcaro está preso após ter dado um golpe de R$ 51 bilhões ao país e de ter financiado, com o dinheiro roubado, o esquema político do senador Flávio Bolsonaro. A PF flagrou Flávio pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro ladrão.

Thiago Miranda é apontado pela PF como o principal articulador de um esquema para recrutar influenciadores digitais e jornalistas – utilizando valores de até R$ 2 milhões e contratos com cláusulas de confidencialidade.

Na troca de mensagens, Daniel Vorcaro envia as seguintes mensagens a Thiago Miranda:

“Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy” “Está me causando muito problema” “Me ajuda nisso?”.

No minuto seguinte, Miranda responde: “Deixa comigo”.

Em conversa posterior, Thiago informa a Vorcaro de que estaria com tudo pronto sobre Milton, mas gostaria de veicular as informações “por outro veículo”.

“Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo”, diz Miranda na mensagem.

Entre as informações solicitadas por Vorcaro estavam dados de identificação civil, número de CPF e informações de caráter pessoal. No documento, o relator menciona que foi encontrado um documento com informações pessoais e patrimoniais de Milton e de sua esposa e foi identificado o uso da identidade visual de uma das empresas vinculadas a Thiago Miranda.

“Circunstância que sugere que o documento tenha sido produzido, editado ou, ao menos, circulado no âmbito da referida estrutura empresarial”. Segundo a PF, estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília, determinados pelo Supremo Tribunal Federal. O publicitário Thiago Miranda, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é o alvo desta 10ª fase da Compliance Zero.

A investigação aponta que o esquema de Vorcaro obteve ainda, de forma ilegal, os dados financeiros, patrimoniais e cadastrais da jornalista Malu Gaspar, além de ter identificado seus filhos. O grupo teria identificado qual o carro utilizado por ela.

Segundo a PF, o esquema criminoso do Master estava dividido em núcleos: Núcleo dirigente: responsável por coordenar os outros grupos e proteger os envolvidos nos crimes. É formado por Daniel Vorcaro, dono do Master; Núcleo de manipulação informacional (chamado de Projeto DV): tinha a função de criar campanhas de desinformação, manipulação da opinião pública e gerenciar crise quando houvesse crise de imagem. Fazem parte Thiago Miranda Silva, André Salvador e Anderson Antunes (sócios da agência UNLTD), Júnior Favoreto (GroupBR) e Flávio Carneiro;

Núcleo de intimidação, coação e violação de dados: segundo a PF, grupo tinha a especialidade de intimidar e obter de forma ilícita dados sigilosos de alvos dos criminosos (financeiro, fiscal ou sobre familiares, por exemplo). Thiago Miranda Silva é o principal integrante, junto de auxiliares, chamados “O Time”, e policiais cooptados pelo grupo criminoso.

Em depoimento à PF em março, Miranda negou que tenha contratado influenciadores para atacar autoridades ou órgãos de Estado e afirmou que o trabalho era para a “reconstrução reputacional da imagem” do dono do Master.

Ainda de acordo com a decisão, para desempenhar a função, Thiago Miranda usava recursos recebidos pela compra de parte do portal de notícias Léo Dias, que, por sua vez, eram repassados pela Super Empreendimentos e Participações, de Daniel Vorcaro.

A Super já havia sido citada pela PF por ter sido utilizada para “prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro” para a “turma”, grupo ligado ao ex-banqueiro, voltado a ameaças, intimidações pessoais, coerções e levantamentos clandestinos sobre desafetos. A liderança operacional desse núcleo foi atribuída à época ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que respondia a Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após atentar contra a própria vida sob custódia da PF.

“A autoridade policial conclui estarem presentes fortes elementos indicativos de condutas perpetradas por Thiago Miranda, Daniel Vorcaro e outros integrantes do grupo criminoso, direcionadas a (i) proteger o núcleo dirigente da organização criminosa; (ii) manipular a opinião pública; e (iii) coagir, intimidar e violar dados sigilosos de [a] jornalistas, [b] de concorrentes e [c] pessoas ligadas ao Presidente do Banco Central.”

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