“Ameaças a Cuba constituem crime internacional”, denuncia presidente Díaz-Canel

Presidente de Cuba alerta para graves consequências para a América Latina, caso ameaças de Trump se materializem (Granma)

O presidente Miguel Díaz-Canel alertou na segunda-feira (18) que as ameaças dos EUA de agressão militar contra Cuba “constituem um crime internacional” que, caso se materialize, provocará “um banho de sangue” de consequências “incalculáveis ​​para a paz e a estabilidade” da América Latina

A advertência de Díaz-Canel ocorre após o veículo de mídia norte-americano Axios ter publicado no domingo, citando uma fonte ‘sob anonimato’, que Cuba seria uma “ameaça” aos EUA (uma superpotência nuclear!) por ter “300 drones”, em meio às declarações de Trump às vésperas da viagem a Pequim de que iria agora “cuidar de Cuba” e com o bloqueio naval à entrega de petróleo à ilha caribenha entrando pelo quarto mês.

O líder cubano rechaçou categoricamente os pretextos alegados por Washington, reafirmando que Cuba não representa uma ameaça nem possui planos ou intenções agressivas contra qualquer país, muito menos contra os Estados Unidos. Fato que, lembrou, é plenamente conhecido pelos órgãos de defesa e segurança da potência imperialista.

Da mesma forma, o presidente cubano afirmou que, conforme a Carta da ONU, a nação caribenha tem “o direito absoluto e legítimo de se defender de uma investida bélica, o que não pode ser esgrimido de forma lógica e honesta como desculpa para impor uma guerra contra o nobre povo cubano”.

A embaixada de Cuba em Washington reagiu à provocação disseminada por Axios sublinhando que “Cuba é o país sob ataque”, meses após o aumento do bloqueio de petróleo pelos EUA, que deixou a rede elétrica da ilha em um “estado crítico” e forçou frequentes apagões e uma crise de saúde, com dezenas de milhares de pessoas aguardando por cirurgias.

No sábado, a conferência de ministros das Relações Exteriores dos BRICS, reunida em Nova Délhi, na Índia, aprovou por unanimidade resolução de apoio a Cuba, que é parceiro do BRICS +.

“Discutimos  a inaceitabilidade da prática, infelizmente persistente,  de medidas coercitivas unilaterais destinadas a punir governos soberanos  e interferir em seus assuntos internos. Nesse sentido, reafirmamos nossa solidariedade com nossos amigos cubanos”, disse aos repórteres o chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov.

Também o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou que os Estados Unidos estão montando “sem qualquer justificativa legítima, dia após dia, um dossiê fraudulento para justificar a implacável guerra econômica contra o povo cubano e a eventual agressão militar”.

O direito de Cuba à autodefesa foi reiterado ainda pelo vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossío. Ele destacou que a provocação vem se intensificando a cada hora, com “com acusações cada vez mais implausíveis” contra Cuba.

A escalada de Trump contra Cuba, marcada por seu decreto declarando em 29 de janeiro “emergência nacional” e que a ilha seria uma “ameaça incomum e extraordinária aos EUA”, mais a proclamação de um bloqueio naval ao fornecimento de petróleo, segue se agravando, com a sumidade de Mar a Lago prometendo uma “aquisição amigável” da ilha.

Repetindo o manual de golpes do império, como feito antes do início da guerra contra o Iraque, quando o The New York Times mentiu de forma infame sobre “armas de destruição em massa de Saddam” inexistentes para justificar a agressão, papel agora cumprido pelo Axios, CBS News e outros.

Na semana passada a CBS News asseverou que o Departamento de Justiça dos EUA estaria preparando o indiciamento do ex-presidente Raúl Castro, por um episódio de 1996, em que uma provocação de uma organização gusana sediada em Miami resultou na derrubada de um pequeno avião sobre o espaço aéreo cubano.

Outra ordem executiva de Trump reforçou em 1º de maio as sanções unilaterais a setores-chave de Cuba, energia, mineração, serviços financeiros e defesa, enquanto o chefe da Casa Branca ameaçava “tomar o controle” da Ilha e enviar o porta-aviões Abraham Lincoln após as operações no Irã.

A que Cuba respondeu, com Díaz-Canel afirmando que “nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará a rendição de Cuba” e pedindo o apoio da comunidade internacional contra a agressão.

Na semana passada, o secretário do Pentágono, Defesa, Pete Hegseth, disse ao Senado que uma ação militar contra Cuba continua sendo uma possibilidade. Tentativa de limitar os poderes de guerra de Trump contra a ilha apresentada pelos democratas foi bloqueada pelos republicanos que controlam o Senado.

Na busca de manter um canal de negociação com Washington, o governo cubano realizou na semana passada uma reunião em Havana com o diretor-geral da CIA, John Ratcliffe.

“AGRESSÃO MILITAR A CUBA É UMA AGRESSÃO MILITAR À AMÉRICA LATINA”, DIZ PETRO

O presidente colombiano Gustavo Petro manifestou-se, pelas redes sociais, contra uma agressão militar contra Cuba “porque isso é uma agressão militar contra a América Latina”. “O Caribe é uma zona de paz e isso deve ser respeitado”, acrescentou.

Petro rejeitou o intervencionismo e enfatizou que os cubanos são os “únicos donos de seu país”. A paz no continente será uma realidade se “ninguém se propuser a se impor sobre os outros”, enfatizou.

“Este continente é o continente da liberdade, não das invasões. Honra a José Martí [político e escritor cubano] e às repúblicas livres e soberanas da América Latina e do Caribe”, concluiu.

A chancelaria cubana também republicou declarações do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira: “as pressões externas e o embargo criaram uma situação humanitária difícil em Cuba. Os problemas não podem ser solucionados através da força e da coerção”.  

De Washington, o co-coordenador geral da Internacional Progressista, David Adler, apontou que a alegação de que os preparativos relatados por Cuba tornam a ilha uma ameaça à segurança dos EUA “é uma mentira — com um propósito”.

“Marco Rubio e seus estenógrafos na Axios estão fabricando consentimento para a invasão de Cuba”, disse Adler. “Cair nessa propaganda frágil é falhar no teste mais básico de alfabetização cívica. E o que está em jogo são milhões de vidas cubanas nas nossas costas.”

RÚSSIA REITERA APOIO INCONDICIONAL

No sábado (16), o vice-ministro das Relações Exteriores Sergey Riabkov reiterou o “apoio incondicional” da Rússia a Cuba, diante das ameaças e agressões dos EUA.

“Apoiamos incondicionalmente Cuba e, quero ressaltar, não abandonamos nossa postura de princípios de apoio a um Estado historicamente próximo a nós, um Estado que nos oferece — à Rússia — um apoio valioso em fóruns internacionais. E com a qual cooperamos em muitos aspectos da configuração de uma nova ordem mundial”.

No final de março, a Rússia enviou o petroleiro Anatoly Kolodkin, com 100 mil toneladas de petróleo bruto, para atenuar a crise da escassez de combustível em Cuba, driblando o bloqueio naval dos EUA.

Ryabkov acrescentou que a Rússia está indignada com “o cinismo dos EUA”, que endurece o bloqueio contra Cuba – totalmente ilegal e inaceitável sob todos os pontos de vista – ao mesmo tempo em que diz se dispor ao diálogo.

Riabkov ressaltou que para Moscou está claro que, independentemente de como esse processo se desenrole, o mundo enfrenta “uma manifestação cínica e flagrante da doutrina Monroe, que não tolera a ‘dissidência’ em todo o hemisfério ocidental”.

O diplomata destacou que Cuba é um símbolo do surgimento de uma nova ordem mundial, de resiliência e de altruísmo. “Um país que apresenta excelentes resultados em uma ampla gama de áreas do desenvolvimento social”, observou, acrescentando que o governo dos Estados Unidos vem tentando impedir isso há décadas.

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